10.2.17

Tendências e nomes de blogs - O estudo científico que faltava

Enquanto lá fora vamos vivendo no mundo das cenas reais, em que proliferam as coisas 'do bairro', os coisos 'gourmet', os cafofos 'vintage', a Infinitaria de coisas acabadas em 'ia', reciclando conceitos antigos com toques de pós-modernismo labrego-trendy, nos blogs as 'casas' estabelecidas vão sobrevivendo e as tendências oscilam entre cópias do mercado global, auto-cultos de personalidade e diversos lugares comuns. Verdade seja dita, há blogs com nome de boa malha e o telhado de vidro que aqui está edificado encontra-se disponível para apedrejamento alheio.

Mas vejamos um estudo geral e grosseiro:

Pipocas continuam a dar frutos, com os seus derivados para todos os gostos.
Avalanches de princesas, ladys e afins.
Saltos Altos dos mais diversos formatos, cores, estilos e tamanhos e tudo o mais ao nível da sapataria e guarda roupa.
Diminutivos a bombar proximidade por aí fora, lutando contra o segumento da letra capital (o blog da L, do Z, da V versus Mi's, Zé's, Ná's, etc)
Cenas com nome de horas - Um quarto de hora para X, Meia noite para aquilo, Seis e Meia Coiso
Derivados de filmes, livros e afins, alguns bem sacados (não precisam de agradecer), outros ao nível da Feira do Fumeiro de Montalegre.
Mulheres e Homens que fazem e opinam e discutem e debatem e pronto. Seus descendentes, Meninos e Meninas, também cá andam.
Cargos públicos adaptados, do Ministro à Secretária, até ao derivado político.
Expressões do mundo maravilhoso da bola.
Cocós, Xixis, Papás, Mamãs, Famílias de quatro, de três, à deriva, unidas, com orientação geográfica diversa.
Sexualidade com requinte, sem requinte, a quente, a frio, com um certo je ne sais quois, à bruta, por trás, pela frente, por aí em diante.
Acessórios vários, de moda, de maquilhagem, para homem, para anões, para gigantes, etc
Homenagens a Marco Paulo, no formato loiras, morenas, etc

No capítulo de tendências mais recentes, aponto ainda para o usa da expressão/frase de cunho trendy acabando com um 'by' alguém de quem nunca ouvimos falar, mas que vincula a sua confiança e personalidade forte ao acto de assinar com o seu nome.

Creio aqui ter coberto para aí 85% da nomenclatura vigente e acrescento que, embora gozável, muito mais importante que o nome é o conteúdo que realmente importa. Mas eu, biltre dado à semântica, gosto muito destes pormenores e estou até disponível para fazer  aconselhamento digital, estilo 'Querido/a, mudei-te o nome do blog', com a vantagem que sou muito melhor que o Gustavo Santos a encher chouriços. Só creio não conseguir superá-lo ao nível de vacuidade motivacional intensa.

9.2.17

Uma estatística totalmente desnecessária a esta hora da noite

Estima-se que, em média, 8 em cada 10 pessoas em Portugal passam 24 horas por dia com o telemóvel a menos de um metro de distância.

A média baixa para 2 em cada 10 pessoas quando se trata da consciência e não do telemóvel.

30.1.17

A velha e raquítica história do 'porque leio blogs'

Enquanto este perfil dormia, confesso que me afastei de grande parte do mundo dos blogs, seguindo a tendência de velhos conhecidos e pessoas com as quais interagia mais regularmente. Restaram alguns bastiões, a par de um ou outro ponto de nostalgia e revival.

No geral, conforme a convivência com o digital e a existência de novos formatos e redes sociais florescem, assistiu-se ao que é comum assistir nestes meios: os modelos ‘comercialmente’ mais viáveis são replicados à bruta, as novas áreas de interesse criam novas temáticas e os nichos continuam a lutar para continuarem nichos.

Contudo, ao atracar em alguns portos resistentes, entre a conversa de nostalgia a remeter para quando a blogosfera era um bar alternativo, em vez do centro comercial que é agora, ou a apologia de que se está a perder a noção do que é isto ou aquilo ao nível de teor de um blog, parece que estamos numa festa de cegos a queixar-nos de que a decoração é péssima. Sim, há razões de queixa, mas provavelmente o ponto essencial não é esse.

Sem merdas, nem metáforas, as três principais razões pelas quais as pessoas visitam blogs são, sem nenhuma ordem específica:


Voyeurismo – Quando se diz ‘ai, gostava tanto de ser uma mosca, para ver isto, aquilo e aqueloutro’, na versão digital diz-se ‘eu leio blogs’ (ou na versão café da esquina, ‘estive ali a espreitar no Face’. A distância que um ecrã cria, assim como a sua proximidade, fazem com que autores e voyeurs tenham nos blogs uma bela plataforma. Tudo bem que a verdade e a fantasia se entrelaçam muitas vezes, que voyeurismo, cusquisce e ‘schadenfreude’ se misturam tipo sangria mas, da mesma forma que as pessoas partilham coisas de si, da sua vida (muitas vezes sem noção do bom senso), as pessoas procuram isso, mesmo que assumam que é só numa perspectiva crítica, que antigamente era bom, mas agora já não vale nada, etc. Eu quando vou a um restaurante e sou mal servido, posso lá voltar mais uma vez para ver se foi azar. Se volto lá mais outra vez, das duas uma – ou ando a comer de borla ou estou interessado na vida de quem lá trabalha.

Capacidade de escrita (seja pela qualidade ou pelo tom) – Há pessoas que escrevem bem, há pessoas que julgam que escrevem bem e há quem, não escrevendo propriamente bem, pelo seu tom ou personalidade, consegue tornar um texto apelativo. Quem é que decide o que é boa escrita ou má escrita? Bem, os puristas podem dizer que isto não é uma decisão e que as pessoas não gostam de críticos, basta olhar para os de cinema. Também não se pode dizer que o público é que decide o que tem ou não qualidade, porque muitas vezes, razões de afecto e devoção fazem com que não actuemos de forma racional sobre determinados assuntos. Portanto, é difícil definir, mas acreditem, há muito que quem escreve bem se safa nas redes sociais e para além disso, sem que isso signifique riqueza de conteúdo, basta olhar para o Chagas Freitas.

Identificação de interesses – Se eu gostar de correr, há uma maior probabilidade de me identificar com um blog em que se descrevem as diatribes de quem corre. Se eu curtir enchidos, é muito natural que procure blogs onde se enchem chouriços. Se o meu mundo girar à volta de um deus-bebé, é provável que a maternidade possa constar entre temas blogosféricos da minha preferência. E por aí em diante, que a internet e esta conversa podem não ter fim. O que resumidamente se pode traduzir no facto de que o tema pode ser um fluxo de procura bem maior do que saber se a escrita é melhor ou pior. Obviamente, como em tudo, quanto melhor o produto for vendido, maior o seu consumo.

Podia ainda colocar-me com teorias sobre se uma maior predominância feminina domina ou não os blogs e afins, mas isso é outra cartilha que agora não me apetece desenvolver.

Basicamente, enquanto tudo à nossa volta muda, as bases são as mesmas e compõem-se dos ingredientes acima descritos, mesmo que em proporções diferentes para cada um. Dizer que agora é assim, mas antes era assado, que só se encontra cinzento quando se encontrava arco-íris antigamente é estar discutir toppings quando os sabores dos gelados não mudaram grande coisa.


Eu, de vez em quando, continuo a ler blogs, porque posso e se calhar gasto o tempo onde não devo. Mas isso, com um lençol de texto destes, já vocês tinham percebido.

26.1.17

Quando te batem à porta e é o Sr. Faz Favor



Não gosto que me batam à porta. Não é uma fobia, nem nada que me prejudique a vida, mas é uma antipatia, especialmente quando se trata da porta da rua e não estou à espera de ninguém.

Qual a pior coisa que me podem fazer depois de me baterem à porta e eu perguntar 'Quem é?'?
Responderem 'Faz favor', em tom de prolongamento de algo que nem sequer teve início.

Faz favor? Querem que eu abra a porta ao Sr. ou à Sra. Faz Favor? Querem que eu abdique da porta que nos separa por algum motivo e dê azo a uma conversa certamente desinteressante com esse argumento? Fico com pena de já não se fazerem portas com orifícios que permitam despejar azeite a ferver em visitantes inoportunos.

Mais disposto a, pelo menos, sorrir e dizer 'boa tentativa' se me batessem à porta, eu fizesse a pergunta mais comum do mundo e a resposta fosse 'Amigo, sou um mitra que lhe vai tentar extorquir alguns cobres com uma história mal conjugada e pouco credível. Vamos ajudar-nos mutuamente, poupar tempo e uma moedinha de 1Euro metida por debaixo da porta já não é um mau saldo para a nossa conversa'.

Mas não, seja para vender a palavra do Senhor, adesões à Fibra ou contribuir para o equilíbrio na balança comercial de estupefacientes, os batedores de portas continuam a apoiar-se no 'Faz favor'.
E eu continuo a suspirar do outro lado da porta.

25.1.17

Reencarnação é coisa pós-moderna

Não sei se acredito na reencarnação ou não. Por um lado, não quero saber se numa vida anterior fui um pastor que andava a afagar indevidamente ovelhas nas montanhas nos tempos de Viriato mas, por outro lado, não quero que as minhas acções contribuam para que um dia destes reencarne numa ovelha que ande a ser afagada indevidamente.

O que fazer?

Por todo o lado vejo palavras a reencarnar, uma padaria já não é uma padaria, apesar de ainda ser uma padaria, gourmet deixou de ser gourmet porque se tudo é gourmet então nada é gourmet. Por todo o lado vejo pessoas a reencarnar nas redes sociais, em blogs e em existências que se interligam em sucessão. Por todo o lado vejo o dito por não dito virar veredicto da incoerência coerente.

E se eu reencarnar sem deixar de ser aquilo que continuei a ser noutros lados?

Bela merda de ideia arranjaste tu para divagar numa quarta-feira de inverno que já cheira a chuva. E nem o palavrão que usaste para a temperar a torna mais atraente.






16.1.15

It's alive?



Não, segundo consta não farei parte do cartaz do Alive 2015.

4.8.14

Infelizmente este blog só regressou à vida para falar do oposto

Hoje desapareceu alguém que considero um grande amigo. Digo “considero” porque ainda me recuso a falar do R, no passado e acho que há coisas que transcendem os limites que a vida e a morte criam. E se este blog também nasceu pelas mãos dele, é justo que eu cá venha falar um bocadinho do que significa para mim, mesmo que no momento mais difícil.

Hesito sempre quando se trata de partilhar aquilo que realmente mexe comigo face ao que é a espuma dos dias nas redes sociais. Mas é a escrever que sempre consegui expressar melhor o que me vai na alma e se o faço assim neste caso é porque penso que se a amizade é um valor que devia guiar o que nos liga nestes meandros, então são os verdadeiros amigos que merecem os verdadeiros gestos, mesmo que derradeiros e que não seja possível vê-lo responder aos mesmos com um comentário do género “Com essa prosa de biltre não vais longe puto”.





Conheci-o há mais de 25 anos, crescemos a três prédios e um toque de campainha de distância e se houve coisa que a nossa convivência me ensinou foi que a empatia instantânea é uma espécie de fórmula mágica que não se cria, vive-se. Foi por isso que ao longo dos anos, mesmo que estivéssemos separados semanas ou até meses, bastava uma hora juntos para parecer que a última vez tinha sido no dia anterior. Gostos comuns, parvoíces comuns e um conjunto de ligações que foram crescendo e amadurecendo connosco, temperadas com aquele toque especial de crianças grandes que na realidade sempre fomos. Viessem mais 25 ou 50 anos e eu diria que tudo continuaria assim, como se só uma moldura feita de cabelos brancos e crianças a brincar juntas fossem mudando os contornos à nossa volta.

Uma coisa que sempre reconheci ao R. era daquelas coisas que quem privou com ele sabe que era impossível de fingir, pois a sua intensidade para com aquilo que o apaixonava impressionava desde o primeiro momento. Fosse o Belém, uma discussão sobre cinema, o quiz ou os reflexos maiores dessa faceta, na forma da família e do pequeno grande campeão que é o seu filho.

Por isso e por muito mais, gostava de te poder dar mais um calduço e dizer-te para trabalhares menos e zarpares para casa, pois sei bem que por vezes contavas os minutos até estares com o teu puto e a tua mulher. De te puxar para os projectos que fomos sempre adiando, mas que nunca deixámos de discutir. De te contar mais um trocadilho ou uma piada tosca, só para te ouvir rir, com aquele ar de puto malandro e dizer “És tão estúpido”, sabendo que era disso mesmo que nós gostávamos. Mas tudo isso sou eu, que sou egoísta e sei bem que não precisaria de nada dessas coisas se soubesse que estavas junto dos teus, ocupado a ser feliz e que talvez daqui a uma ou duas semanas me dissesses qualquer coisa. Nunca tivemos horas marcadas, não havia de ser agora que iríamos começar.

Como sempre, escrevi demais e infelizmente já passou demasiado tempo para ainda poder acreditar que se trata de um pesadelo ou da pior piada de mau gosto de todos os tempos. De bom grado gostaria que assim fosse e de o ouvir dizer “Lello, que grande testamento. Não há pachorra para ler uma coisa assim”. E, uma vez mais, terias toda a razão.

25.6.14

Uma pausa para o adeus devido ao verdadeiro Mau




Não sou de voltar atrás com as minhas decisões, embora outro dia isso tivesse dado jeito, quando andei horas perdido no meio da mata armado em Robinson Crusoe dos trails. No entanto, se não viesse cá hoje, não faria justiça ao grande ícone por detrás deste blog, mais precisamente, do personagem que vos escreve. Falo, obviamente, deste senhor.




A notícia do seu desaparecimento, aos 98 anos, não é propriamente um choque ou uma tragédia mas, ainda assim, provocou uma sensação de vazio no meu lado ficcional. Desde a primeira vez que vi em miúdo o filme “O Bom, o Mau e o Vilão” que o seu personagem me transmitiu (porventura ao meu subconsciente) os “valores” que realmente aprecio nos maus da fita.





É certo que a estrela da companhia é Clint Eastwood, com os méritos do herói duro e silencioso que faz as coisas acontecerem com o menor número de falas possível e que Lee Van Cleef é o verdadeiro vilão, um antagonista cruel e frio, mas é Eli Wallach enquanto Tuco (vilão só na tradução em português) que é porventura o espelho dos bons malandros que, por mais trafulhas que sejam, têm sempre os gestos e a postura sacano-adorável que torna quase impossível não gostarmos deles, mesmo quando é previsível que o final não lhes seja favorável.





História do filme à parte e apesar de só o ter visto pela primeira vez para aí 30 anos depois do seu lançamento, Tuco Ramirez – o Mau, veio mais tarde a revelar-se a inspiração perfeita para a minha expressão deste blog. Não porque seja na realidade um pistoleiro trafulha dos tempos modernos, mas porque o meu estilo (a ter um) talvez possa ser uma mistura de humor, irritação, defeitos mascarados de virtudes e a capacidade de gerar surpresas em cada esquina, mesmo que nem sempre seja com intenções virtuosas.



Da sabedoria mitra de Tuco ainda hoje retiro ensinamentos, como é o caso desta cena.





“When you have to shoot, shoot, don’t talk” é algo que tenho em conta e que já me relembrou várias vezes que, se é para fazer as coisas é para fazer, em vez de ficar apenas a falar sobre elas. E isto é para o bem e para o mal, digo eu aviando duas peras no procrastinador que vive em mim.



A longa carreira de Eli Wallach vai muito para além deste personagem, incluindo vários filmes do meu agrado, creio que no cinema deverei tê-lo visto pela última vez no The Ghost Writer. Apesar de nunca ter ganho um Óscar pelos seus filmes, em 2010 a Academia reconheceu o seu valor com um Óscar pela carreira, destacando uma das suas capacidades maiores – o talento “camaleónico” para dar vida e sensação de realidade aos personagens que interpretou.




Foi-se o Eli, o Tuco vive para sempre e os bons bandidos à sua imagem continuam um pouco por todo o lado. Como tentei que fosse o caso por aqui. E agora chega de conversa por aqui, não queremos que fiquem mal habituados.

2.5.14

Obrigado por terem vindo, adeus e até à próxima



Sonhei que tinha ido a uma festa de despedida, daquelas onde mesmo quando a lua já vai alta não há horas perdidas. Podem pensar que tenho macaquinhos no sotão mas às vezes as coisas são mesmo assim, um desassossego constante, esteja acordado ou a dormir.


A essa festa fui de fato de treino mas esse facto não me impediu de debater livros com quem deles percebe, mesmo com o ruído surdo da música que transforma toda a conversa numa festa numa sequência de gritos bem intencionados. Também falei de futebol, mesmo que por vezes pareça coxo na matéria, há sempre alguém que escuta e isso é bom. Mesmo durante um sonho não seria uma festa se não fossem servidos acepipes, embora quando um tipo se apresenta ao meu estilo não pode desconfiar quando lhe servem pipocas de todos os gostos e feitios e o empregado, fã de gourmet, diz que se reparar, machos e fêmeas da espécie têm sabor diferente. Felizmente, para o povo, também havia caju, amendoim e refrigerantes com gás, para sermos todos muita malucos.


Não faltaram figuras históricas, algumas grandes e com raízes na Macedónia do lado da mãe e houve até quem me pedisse desculpa por se apresentar à paisana, coisa que perdoei na hora, visto que na festa havia quem se apresentasse em roupa interior rosa ou até de saltos altos. Apenas de saltos altos acrescente-se. E não me estou a referir ao meu irmão gémeo, que esse é sacana, mas não chega a esse extremo.


Piratas também foram avistados, tal como outras criaturas míticas, ao exemplo de trolls e outros seres que, perdidos pela cidade, vieram ter ao sonho mais badalado do dia. Certamente não eram alérgicos a feno, porque comeram toda a decoração feita desse material e não ficaram com febre o que, por momentos, me levou a querer gritar “Oh my dog!!”. Felizmente, não sou uma lady e também não me comeram o cão, o que foi uma vantagem, porque é de loiça.


Muitos dos que vieram preferiram manter o anonimato, brindei com eles à mesma, porque essas pequenas coisas não estragam grandes momentos. No sonho estavam mulheres, homens de vários tipos, incluindo D. Havia quem corresse para ver a próxima animação e quem corresse só porque sim, até porque nos sonhos se tudo fizer sentido a coisa não tem tanta piada.


A minha única angústia, ao longo de todo o sonho, foi saber que haveria sempre gente na festa que eu quereria cumprimentar e me havia de esquecer ou não conseguir chegar até elas. Portanto, projectei um raio de sol a partir da minha testa, aproveitando o facto de ter comprado o Pack Sonho Mirabolante e agradeci-lhes por terem vindo. Espero que soubessem ler, senão foi dinheiro mal gasto, que aquilo estava escrito em gótico flamejante.


Ainda assim, fiquei sempre com a certeza que este era daqueles sonhos que dava para editar, se houvesse necessidade, até porque sonhos recorrentes é coisa que dá para conversa de bar e de sofá de psicanálise. Acenei para a multidão e disse-lhes para experimentarem enviar-me mails se lhes apetecesse para ver se o servidor do subconsciente estava a funcionar. Pensei em soltar uma lagriminha, mas o pack mirabolante não inclui finais dramático-sensíveis.


E, sendo assim, depois acordei e fui-me embora.

1.5.14

As pequenas coisas do meu eu



Acredito que não nascemos para saber tudo, porque se assim fosse seríamos sempre absolutamente e aborrecidamente confiantes e, pior do que isso, teríamos boas razões para isso. No entanto, há a tendência para que me esqueça regularmente dessa crença quando dou por mim a pensar que sei tudo sobre determinado assunto.

Sou expansivo, mas defensivo, algo que é natural porque também acredito que não devemos presumir que as pessoas são boas até prova em contrário. Prefiro a teoria da tábua neutra, em que o comportamento e atitude das pessoas ditará o lado da fronteira para que irão. Perderei um pouco por ser assim, ganharei outro tanto, faz parte do jogo.

Quando corro, sou o meu maior apoiante e o meu maior adversário. Faz parte da minha natureza competitiva, mas também do reconhecimento das minhas falhas. Ainda assim, sempre preferi desportos de equipas, por achar fascinante que partes que não são as melhores individualmente podem superar a soma do seu valor quando actuam juntas.

Plantação de árvores à parte, ainda não escrevi um livro nem tive um filho. Como tenho a mania dos épicos, se calhar tento fazer as duas coisas num só dia. Nos entretantos, fiz outras coisas que nem toda a gente se pode gabar. Mas não me vou gabar disso, para não ser como toda a gente. Modéstia, eis outra das minha virtudes.

Não gosto de dizer que antes é que era. Prefiro acreditar que amanhã é que vai ser. Assim, pelo menos fico com o dia de hoje livre. E ainda são uns belos 10 minutos.


Hoje é o último de festa mas nada bate uma despedida ao jeito de ressaca do dia seguinte.