27.12.07

Ainda o Furacão Nicolau

Então esse Natal? Muitas prendinhas? Não precisam de responder, não é uma questão de interesse ou cortesia, foi apenas uma attitude reflexa, já que é com estas duas perguntas que vou ser metralhado até à próxima 4a feira, altura em que serão substituídas por mais dois grandes exercícios de originalidade: “Então essa passagem de ano? Grande festança?”.
Para lidar pela última vez com este fenómeno natalício, ficam os apontamentos devidos à época, para vos iluminar sobre factos que certamente desconhecem:

- As pessoas comem até rebentar, especialmente doces, para compensar ou punirem-se de uma de duas coisas: despesismo desmesurado em prendas ou amargura desenfreada pela bosta que receberam no sapatinho.
- Antigamente havia o postal de Natal foleiro e o (raro) postal de Natal engraçado. Hoje em dia, existem toneladas de sms de Natal tão engraçadas que não sei porquê me parecem todas foleiras.
- Ainda as sms. O esforço bacoco de enviar uma mensagem igual à que 10 pessoas enviaram nos últimos 20 minutos não valoriza os 2 cêntimos que se gastaram nelas e não faz pensar quão extremosa e afectuosa e dedicada é a pessoa que se deu a esse trabalho.
- Papel de embrulho, o desperdício final. Ponto um, se a prenda é surpresa o efeito funciona se a trouxer desembrulhada ou, vá lá, num saquinho festivo ou do Leroy Merlin se quiserem causar sensação. Ponto dois, se não é surpresa, para quê criar uma falsa expectative através do papel de embrulho.
- O Noticiário de Natal. Não há muito para dizer na véspera e no dia de Natal. Por isso, se não há eventos de maior, para quê mostrar-nos os top20 de acidentes de Natal ou espancamentos de padres em Alijó. Mais valia dizer, amanhã há mais, hoje passamos já ao circo ou ao filminho da praxe que é para não aumentar ainda mais o risco de congestão.
- A terminar, apesar de ainda haver muito mais para vomitar sobre o assunto: a caridade. Eu preferia que a malta fosse caridosa e solidária o ano inteiro, reservando 15 dias em Dezembro para fingir que não é consigo, que não sabe de nada e que tem mais do que fazer. A maioria prefere o contrario, siga para bingo.

Jingle Bells – Off / Gotan Project – El Capitalismo Foraneo - On

19.12.07

Eu não Metro lá os pés

Com um ligeiro atraso de cerca de dez anos, abre hoje a ligação da linha azul do Metro ao Terreiro do Paço e Santa Apolónia. Para além de providenciar acesso directo ao Lux por parte dos cidadãos da Pontinha, Carnide e Amadora, traz de novo a Lisboa a promessa de diversão dos parques aquáticos, algo que caiu em desuso depois da tragédia do Aquaparque.
Podem vir ministros dizer que era nesse túnel que se iam esconder em caso de terramoto, podem demonstrar-me que a dupla cofragem é praticamente invulnerável, mas o facto é que num país em que boa parte dos projectos derrapam e metem água até serem concluídos, porquê testar a sorte e ir enfiar-me dentro de um que o fez literalmente durante muitos e bons anos…

E tu, pensas ir conhecer a fauna marítima do Tejo no novo percurso do Metro?


Som de fundo (do rio) - Smoke City - Underwater Love

17.12.07

10 Aleluias para sobreviver ao Natal

Pode parecer obsessivo, mas para qualquer lado que eu olhe parece-me que vejo o espírito de Natal a olhar para mim nas suas 10 mil manifestações. Como eu não aprecio olaria nem me chamo Demi Moore e acho que ele não se chama Patrick Swayze, pode dizer-se que não há assim grande amor entre nós.
Mas, sendo obrigado a conviver e a lidar com isso mais uma semana, data em que o espírito de Natal cede o seu lugar ao não menos enjoativo frenesim de Ano Novo, tomei a liberdade não de providenciar Ferrero Rocher, mas sim de debitar umas linhas para quem também tenha de fechar os olhos e rezar para que isto passé depressa:

1 – Faça as compras de Natal com headphones. O facto de perder alguns momentos de sentido convívio com lojistas e um ou outro familiar que o insista em acompanhar não vale aquilo que poupa à sua audição em termos de medleys de Natal duvidosos e a habitual selecção musical criteriosa das lojas modernas de roupa.

2 – Não se sinta tentado pela caridade. Com a chusma de organizações, peditórios, desgraçados, sem-abrigo, com-abrigo mas à rasca, gente doente, gente que parece estar doente, refugiados e artistas de ocasião que lhe vão aparecer pela frente, há fortes possibilidades de no fim de ajudar metade desta gente seja a sua vez de começar a pedir ajuda.

3 – Use a contra-informação para lançar o caos entre os seus entes queridos e dar algum gozo à quadra. Fingir que se sabe a prenda que alguém vai receber, dar opiniões sobre o que alguém pensa dar e semear a dúvida nas mentes de quem está mais adiantado do que você nas compras de Natal não vai resolver os seus problemas, mas faz com que não se sinta tão sozinho nos mesmos.

4 – Em caso de dúvida, compre uma coisa que a pessoa já tenha. Não se esforce, poupe as suas energies e compre algo que tenha a certeza que a outra pessoa já tenha. Assim, em vez de oferecer uma merda qualquer, dá à oportunidade de ser a outra pessoa a ter o trabalho de ir procurar aquilo que quer quando for trocar a sua prenda.

5 – Vá às compras sozinho. Tudo bem que vai ter que suportar a sua própria companhia sem ajuda, mas também não tem de triplicar o tempo que anda às voltas porque os seus amigos têm 200 sobrinhos para apaziguar ou ter que ver olhares reprovadores quando troca os preços das canecas no Continente para oferecer à sua avó.

6 – Seja racional, não deseje Feliz Natal na loja dos chineses. Eles só o celebram em termos de facturação, porque de resto a época não lhe diz nada e além disso a poupa a irritação de cidadãos que, como eu, pretendem escolher calmamente a prenda para a mãe.

7 – Tente limitar o volume de compras para não pôr em causa a integridade física das pessoas com quem se cruza. Pense bem na sua figura, quando tenta carregar 48 prendas ao mesmo tempo, incluindo a árvore de Natal prateada que achou o máximo para ficar ao pé dos seus cães de loiça na sala. Não só parece um repositor de hipermercado, como pode causar fracturas expostas e escoriações graves naqueles com quem se cruza, mas os quais não vê e apenas ouve devido aos gritos de dor.

8 – Não fale das tormentas que já passou para comprar a prenda para o seu xipitipu ou a sua xipitipinha. Todos sofremos à nossa maneira, não precisamos de agonizar também com a sua história.

9 – Não se gabe do dinheiro que gasta no Natal. Ninguém o vai valorizar mais por isso e apenas vai aumentar o gozo dos restantes quando lhe vierem arrestar os bens em Fevereiro, devido aos dez créditos mal parados que coleccionou nos últimos anos.

10 – Escapatória de leste. Caso não suporte mesmo fazer compras no Natal, diga que é católico ortodoxo e ganhe mais 20 dias para fazer as compras pós buliço, já que esta malta celebra o seu Natal sensivelmente a meio de Janeiro. Para além de ser uma boa desculpa, ainda lhe permite avaliar bem o valor das prendas que recebeu e agir em conformidade.

Quem é mais melhor bom que o Pai Natal quem é?

Para lutar com o stress das compras - Paul Anka - Eye of the tiger

13.12.07

Momices da nossa língua

Quando fui convidado a fazer parte deste espaço, na sequência de uma dívida de sangue do autor para comigo, disseram-me que este era um espaço literato, onde users de espírito distinto confraternizavam sob o tecto dos mais interessantes temas.
Tendo a clara noção de que tudo isso era, como dizem na minha terra, um chorrilho bárbaro de mentiras, resolvi aceitar à mesma pois, apesar de não ser mulher, tenho a convicção de que sou capaz de fazer a diferença para tornar algo melhor, ainda que seja mais fácil cumprir a premissa em relação a um blog do que a um homem.
Mas, o que me traz aqui hoje são dúvidas que não falam dos sexos opostos, mas sim sobre dois temas que me são caros: lingua portuguesa e animais, enquanto entidades distintas que se cruzam.
Assim sendo, alguém me explica a origem ou lógica das seguintes três expressões:

- Cair que nem um patinho - Há alguma razão para os patos sofrerem maiores desequilíbrios que os outros animais? Será porque cedem facilmente a entrar na banheira com pessoas nuas?

- Ficar como boi a olhar para palácio – Embora o mais próximo que tenha observado tenha sido um politico a olhar para um palácio, não percebo o porquê deste animal simbolizar o espanto nesta expressão, em vez de por exemplo, “como um rodovalho a olhar para um palácio”.

- Bem podes tirar o cavalinho da chuva – Se eu quero convencer alguém de alguma coisa, porque raio é que levaria um cavalo comigo para o fazer. É uma cena de fetiche? E, se o interessado sou eu, que me faz diferença se o cavalo não tem garagem para ficar com o mau tempo… Ainda assim, nos dias de hoje, não valeria mais a pena dissuadir alguém com “Bem podes tirar o Fiat Punto do parque” ou “Bem podes ir mas é comprar uma Bimbi”? Deixem lá os equídeos em paz.

Despeço-me com a seguinte notícia: o New York Times, na sua lista de lugares a visitar em 2008, colocou Lisboa em segundo lugar. Depois do Euro2004 e do Mundial2006, é triste verificar que mais uma vez morremos na praia ou, neste caso, no Laos. O único consolo é que ficámos à frente de gregos e franceses, algo que vou comemorar bebendo o mesmo que os tipos que fizeram artigo beberam ao fazer a classificação.

A ouvir em 2008 ou qualquer altura - Calexico - Close Behind

11.12.07

Nem tudo o que é Bueno é bom

Depois de um fim de semana de profunda reflexão, em que este blog ficou dominado por uma aura mista (não confundir com mística) de bondade e lirismo, cortesia do nosso novo colaborador The Gud, é chegada a altura de responder à escumalha que nos rodeia.
Diziam os antigos, Kinder é Bueno e Bueno é bom. Talvez pela sua inocência se chamem mesmo “os antigos”, já quem em tempos modernos este tipo de Kinder é tudo menos Bueno e, como tal, ainda menos terá algo de bom.
É a vida” intitula-se o caldeirão onde despeja a sua verborreia, com assomos delirantes de grandeza, manchando de vergonha os que com ele partilham o espaço. De facto, a expressão “é a vida” resume na perfeição a tolerância a que somos obrigados para, dia após dia, ir lendo a sua verve insane que faz da Internet um lugar pequeno para nos tentarmos abstrair do fedor que emanam as suas palavras.
Sem entrar no capítulo da ofensa pessoal, este anormal diverte-se sugerindo gadgets profanos para o Natal, olhando de baixo para cima ao gozar com pessoas de parca estatura e tentando atentar de forma tonta a quem lhe dá protagonismo ao permitir neste espaço um link para o seu blog, mais por respeito aos seus colegas do que pelo fel que destila.
Não Sr. Kinder não me baixo ao seu nível para lhe dar uma resposta com o mesmo teor de barbaridades que utilizou para tentar manchar o meu nome. Essencialmente porque a rectidão da minha coluna vertebral não mo permite, mas também porque não tenho o hábito de passear nos esgotos. Aliás, não é surpresa Kinder que esperava mais cedo ou mais tarde esta reacção, pois o Natal desperta o que há de melhor nas pessoas e sei que certamente o que escreveu é o mais alto a que pode aspirar.
Sossegue a pedra que tem no lugar de coração, pois a sua sorte é que não tenho o desprazer de me cruzar consigo numa base diária, coisa que infelizmente não se verifica em termos bloguísticos.

Um grande bem haja,

Mak

Música que diz muito sobre si - Rollins Band - Liar

7.12.07

Hoje

Há dias que são pequenos demais para conseguir escrever sobre tudo o que quero. De maneira inversa, há outros que são grandes demais para serem descritos em palavras. Este é um deles.


Para ouvir de olhos fechados - Ritchie Valens - Sleep Walk

6.12.07

Natalidade mortal

Caso ainda não tenham reparado através da publicidade desmesurada, da iluminação exagerada ou do cheiro a consumismo desenfreado, eis uma grande novidade: o Natal está aí à porta. Pela minha parte, o sacana bem pode morrer de frio à espera que eu a abra, porque para esse peditório eu já dei.
“Epá, mas esta época do ano é tão linda!” dirão vocês, enquanto escolhem um bonito papel de embrulho com ursinhos para as vossas prendinhas e ajeitam com carinho a corda no pescoço ao olhar para o saldo bancário. A verdade é que, segundo um estudo desta empresa de pinguins consultores, em média cada português torra 600 euros no Natal, entre prendas, festas e 1001 maneiras de encher o bandulho.
Se isto fosse a Suécia, para além dos benefícios que isso poderia trazer em termos do preço do salmão fumado e da % de loiras naturais, este facto não me chocaria muito. Mas, num país onde deve haver mais pessoas endividadas do que com a instrução primária completa, a coisa anda perto dos limites da insanidade.
Possivelmente o erro também vem de uma interpretação errada do conceito “O Natal é uma época de valores”. Tenho em mente que a coisa se referia a outros valores que não os da carteira, mas provavelmente custa mais ser boa pessoa do que dar boas prendas, daí a interpretação livre.
Hipócrita como sou, é certo que também já escrevi ao Pai Natal, mas suponho que o badocha finlandês não perceba insultos e ameaças de morte na língua de Camões. De qualquer maneira, serviu para aliviar o stress antes de ir fazer as minhas compras. Sim, porque o ano passado tentei oferecer os verdadeiros valores de Natal, na forma de abraços, profundas palavras de amizade, cartas amorosas e sinceridade ofuscante e tudo o que ganhei foi uma sentida retribuição. Sentida essencialmente no meu corpo, tal foi o enxerto de porrada de familiares e amigos que levei, onde até a árvore e as decorações de Natal serviram como arma.
Por isso, apesar de contrariado lá vou antecipar o calendário pascal e cumprir já o meu Calvário, penando nas compras de Natal. É que posso ser parvo, mas aprendo depressa.


Ringing my bell - Wham - Last Christmas (i gave you my heart)

4.12.07

Sinais de fumo? Só se for incenso...

Ao que consta, falta cerca de um mês para que o número de pessoas nervosas a arrancar cabelos e a roer unhas dentro de espaços fechados aumente drasticamente. De facto, com todo o burburinho que espero que esta implementação da lei do Tabaco vá causar, até a mim tenho impressão que me vai dar vontade de começar a fumar tranquilamente um cigarrito enquanto vejo os fumadores inveterados a entrar em “tilt”.
Sádico insensível? Por favor, alguma contenção, até porque coro com elogios, mas depois de anos a chegar a casa vindo do trabalho, das aulas, da noite ou da creche sempre a cheirar a fumo de uma tal maneira que deixaria qualquer artista da charcutaria de fumeiro orgulhoso, há em mim uma certa satisfação maligna. Dirão os mais pessimistas: “Ah, vai ficar tudo na mesma, é só fachada”, ao que eu contraponho: “Isso era antes de existirem os super-heróis da ASAE”, instituição que veio revolucionar a actividade da caça à multa, desde que o automóvel foi inventado para suprir a falta de fundos das polícias. Quem multa velhinhas a venderem nogás à entrada do Metro, desaloja famílias de baratas do Galeto e enche feirantes de alegria pelo país inteiro, não vai deixar passar oportunidade (ou arranjar uma agência da família para o fazer) de fazer uns cobres valentes à conta dos fumadores.
Pela minha parte, proponho até a criação da Linha do Denunciante, onde cidadãos atentos podem ligar a avisar que está um gajo escondido na casa de banho a fumar ou que viram duas beatas de ar suspeito a rondar o centro comercial. Aposto que, na pior das hipóteses, ia diminuir o número de chamadas falsas para o INEM, já que a malta gosta muito mais de lixar pessoas que conhece.
Por isso, caro leitor fumador, aproveita para fumar com pujança em locais públicos nestes vinte e tal dias que faltam até final do ano e não percas tempo a irritar-te com estas linhas. É que te vai sobrar muito tempo para te irritares com tudo já a partir de Janeiro.

PS – Para quando a proibição de utilização de perfumes rascos ou em doses excessivas em locais públicos? É que mais umas viagens de elevador com a madame de hoje e o meu olfacto entra em vias de extinção.

Poluindo as ondas sonoras – Mark Ronson & The Tigers – Toxic (belo cover)

30.11.07

Continua chamando-me assim, Maomé

É com alguma indignação que tenho lido notícias sobre a situação do já famoso peluche, Ursinho Maomé do Sudão. Ao que parece a senhora professora que pensou que podia andar aí a dar nomes imaculados a ursos já não vai levar as 40 chibatadas previstas, o Ursinho não vai levar as 20 que lhe calhavam em sorte e as crianças não vão ter que ver 1 DVD do Avô Cantigas ininterruptamente durante um dia.
Mas, essencialmente, estou indignado por ser um país dito de 3º Mundo a avançar com um conceito que, vistas as contas, podia ser uma ferramenta muito útil – a punição severa a quem dá nomes idiotas a pessoas e pronto, vá lá, peluches. Imaginem um gabinete do registo com uma pequena sala adjacente reservada a punições: “Ai queres Cátia Kárina Vanessa? Muito bem, 60 chibatadas e pode seguir”, “Nani Ronaldo de Maradona Petit? Não há problema, 20 chibatadas por cada um dos nomes que não mude” ou “Libório Maria? 10 Chibatadas só por ter pensado no nome, mais 35 pela conjugação nome feminino e masculino”.
Suponho que ou os nomes viscosos que abundam pelo nosso país desceriam em catadupa ou o gosto pelo fetichismo revelado nos tornaria um “Red Light District” à beira mar plantado.
Atenção, eu não sou pela violência gratuita. Aliás, considero que quando bem aplicada a violência deve ser muito bem paga e recompensada. Mas, como sou uma pessoa simples, bastam-me os agradecimentos eternos das gerações vindouras por esta ideia marcante para Portugal em geral e para as costas de alguns em particular.

Chicoteando as ondas sonoras com - Elvis Presley - Teddy bear

29.11.07

Sobe, sobe elevador sobe


Os elevadores são lugares fascinantes. Lugares de passagem, de fantasias amorosas, de cenas assustadoras e de algumas das selecções musicais mais arrepiantes a que o ser humano já foi exposto, eles entraram na nossa vida, a partir do momento em que nós começámos a entrar neles.
Quantas viagens de elevador não foram momentos de partida para episódios inesquecíveis da nossa vida, quantos sons tipo “PLING” não abriram as portas aos nossos sonhos ou escancararam os portões de muitos pesadelos?
Antes que comecem aí a ataviar episódios deliciosos* porque tenham passado nestes contentores ambulantes quero apenas dizer que, ao contrário deles, com esta conversa não pretendo ir a lado nenhum.
Precisava apenas de um pretexto para me referir o quanto me irritam as pessoas que, estando outras à espera de um elevador com o botão para subir premido, chegam com ar sabichão e carregam no que tem a seta no sentido descendente.
Lá está, é sempre necessário um iluminado para, tal como Moisés, separar as águas. E ficam a pensar: “Então estes idiotas não vêem que o elevador tem que descer? Não percebem que se carregaram para cima ele não vem para baixo...Se eu não chegasse esta pandilha ficaria aqui eternamente à espera da semana dos nove dias”.
Depois, como é natural depois de algum tempo de espera, o elevador chega e é vê-los com um sorriso condescendente como quem diz “Seus tolinhos”, sem no entanto repararem que o botão que carregaram continua aceso.
Por isso, fica aqui um guia básico para quem lida com elevadores e não quer passar por mete nojo:

BOTÃO COM SETA NO SENTIDO ASCENDENTE OU COLOCADO NA PARTE SUPERIOR – Criado a pensar nas pessoas que pretendem ir para pisos acima daquele em que se encontram.

BOTÃO COM SETA NO SENTIDO DESCENDENTE OU COLOCADO NA PARTE INFERIOR – Criado a pensar nas pessos que pretendem ir para pisos abaixo daqueles em que se encontram e para anormais que acham que sabem mais que os outros.

PS – Um bom remédio para estes últimos é entrar num elevador que realmente vá descer, mas no qual entre um cromo que carregou insistentemente no botão errado para subir. Depois de ver qual o andar para que ele vai (no meu caso ia para o 7º), carreguem no botão do piso de garagem mais baixo (no meu caso o -4). A viagem é mais longa, mas a agonia do imbecil vale a espera.

Entre pisos – Beck – Elevator Music

27.11.07

Quem não come por ter comido, não é doença de perigo

Pelo que li e ouvi esta manhã, certamente este senhor ucraniano terá levado o supracitado provérbio demasiado à letra. Depois de anos a comer com o sogro, terá aproveitado os ares de Sintra para abater o “com” da frase, pouco depois de ter abatido o próprio do sogro.
Se por um lado, terras como Almoçageme, jornais como o Correio da Manhã e blogs idiotas como o meu podem ganhar realce com tão rocambolesco episódio, Portugal não precisava de mais um personagem neste registo.
Já basta sermos comidos pelo Governo, pelas Finanças, pelos patrões, por boa parte dos taxistas do aeroporto e, no caso dos alunos da Casa Pia, por tudo quanto seja funcionário com problemas de fundo. Mas não, agora ainda nos arriscamos a ser literalmente sorvidos até ao tutano por emigrantes de apetite voraz.
Parece que, assim sendo, a par do clima temperado os portugueses estão a passar de ser um bom garfo, para passarem a ser um bom prato. Pelo sim, pelo não, vou começar a tomar banho em bílis, só pela prevenção.

Estranhamente no ar - !!! – All my heroes are weirdos

22.11.07

3 Tiros para o ar

1º Tiro – Pede-se ao cozinheiro da selecção nacional que tenha em atenção o facto de não ir haver bifes em terras austríacas e suiças durante o Euro2008.

2º Tiro – Para quem me vir a entrar no Maxime hoje. É trabalho mesmo.

3º Tiro – Suplica-se ao senhores que inventaram as areias anti-odores para gatos que façam pesquisa de tecidos anti-odores da mesma espécie para idosos frequentadores de transportes públicos. Tenho um estômago sensível.


Bomba sonora - Sigue Sigue Sputnik - Love Missile F-11

21.11.07

Para levar à letra

Fazendo scroll por este antro, podem até duvidar do que vou dizer, mas a língua portuguesa é me é muito querida, algo que talvez se explique pelo facto de ser português. Sei que porventura 0,2% da população nacional partilha comigo este gosto, uma clara minoria se formos a comparar com os que são adeptos de língua estufada.
Esta revelação tem um claro motivo, um tal de Acordo Ortográfico, com o qual já se anda a jogar ping pong desde 1990. Este grande unificador dos países de língua oficial portuguesa (excluindo a Ucrânia), sofreu novas mutações em 2007 e, pelo que vi, não será má ideia colocar uns quantos linguistas em reservas naturais para preservar o português, porque daqui a 10 anos a coisa pode estar morta, tal como a conhecemos (Portugal vai pedir uma moratória de uma década até a entrada em vigor do acordo, ou seja, o tempo suficiente para tentar acalmar a Edite Estrela).
Sobre o acordo, em traços gerais, pode dizer-se que os deficientes é que pagam, Até ver, tudo quanto é mudo vai ser erricado da língua portuguesa. “Pês” e “Cês” que durante tempos infindáveis ficaram caladinhos a fazer companhia a outras letras, sem protestar nem sequer abrir uma vogal à paulada, receberam guia de marcha, para se irem juntar, por exemplo, aos “Ph” que em tempos foram substituídos “Efes” mais modernos.
A prostituição ortográfica irá ser legalizada em Portugal, já que o “Agá” perde toda a sua independência, pois desaparece de “Oje”, de “Úmido” e de mais umas quantas palavras vítimas de um olocausto. Deste modo, o “Agá” passará a ser apenas a ter um serviço de acompanhantes para “Cês”, “Énes” e “Éles”.
Mas, acima de tudo, o que me deixa a pensar (coisa rara) é o facto de nós irmos alterar 1,6% do nosso vocabulário, ao passo que o Brasil altera apenas 0,45%. Ou seja, as novelas podem vir a substituir o prontuário ortográfico no período de transição que aí vem. Basta pôr legendas.
Quanto a este blog, vamos manter-nos coerentes. Se já se dizia mal de tudo, agora vai passar-se a escrever mal na mesma proporção. Se não gostam, juntem-se ao “Pê” e ao “Cê” mudo e desapareçam.

O B-A-BÁ sonoro - Extreme - More than words

19.11.07

Cherloque Olmes à portuguesa

Depois de no sábado ter testado os meus limites (de temperatura e estupidez), achando engraçado ir a Leiria ver a selecção da Arménia jogar com um conjunto de jogadores portugueses, considerei que seria uma boa opção ficar no calor do meu lar no serão seguinte.
Dando graças pelo facto do isolamento proporcionado pelas paredes forradas com pacotes de leite funcionar, reparei que na RTP e na SIC o alinhamento previa um duelo de Maddie’s. Sabendo da capacidade artística da turma de Carnaxide, depois de um sábado sem espectáculo nos relvados, optei pela estação que mais show prometia, dando folga à estação estatal que, ao que consta, anda com problemas de balneário.
A música de fundo com algum drama e tensão logo a abrir indicavam-me que tinha feito a escolha certa. Mas, o melhor estava para vir, quando anunciaram que iam mostrar excertos de uma reportagem da CBS em colaboração com um detective privado. Eis que fiquei então a conhecer o homem que faria de Sherlock Holmes um mero amador, de Artur Varatojo um menino ou do Inspector Gadget um tenrinho sem recursos, o renomado: Joe Moura.
Joe Moura, descendente de portugueses, tem pinta de craque da investigação. Alinha numa grande agência de detectives privados, desfez-se da barba que encontrei na foto, mas não da barriga proeminente que mostra que é homem que não descuida a alimentação, mesmo no decorrer dos casos mais difíceis.
Não conhecendo os méritos passados de Joe Moura, este mostrou ar confiante atacando fluentemente em português e em inglês, mas acima de tudo mostrou que a esperteza lusitana pode ser um bónus para um bom investigador. De outra forma, como poderia o sagaz Joe Moura ter convencido a CBS a pagar-lhe uma “infiltração”, como lhe chamou, de 15 dias no resort de luxo onde os McCann estiveram alojados.
Arricando muito, Joe Moura pode inclusive ter optado por pensão completa, apesar de ter, segundo disse, passado muito tempo no Tapas Bar onde o casal jantava regularmente, familiarizando-se com os empregados e também com a ementa. Durante duas semanas o nosso Joe não parou, recolhendo “evidences” como lhe chamou em inglês, mas que creio que em português se chamam “evidências”. É que o intrépido Joe resumiu-se, pelo que vi, a indicar pormenores que não me pareceu que não se conseguisse saber num dia de pesquisa na net. Do número real de garrafas de vinho bebidas ao jantar, ao ângulo de visão da mesa do restaurante, o nosso Perry Mason não falhou uma. Considerações como “Então se tivessem liquidado a filha isso não se notaria ao jantar?” ou “Ou entre vinho e conversa, muitas vezes quinze minutos não são quinze minutos” mostram que com infiltrações destas não escapa nada, nem o digestivo.
Repito, não conheço o passado detectivesco do grande Joe, mas gosto do seu método e de como, em “apenas” quinze dias de boa vida no Ocean’s Club conseguiu chegar à conclusão de que Maddie foi raptada. Fez me pensar que com um homem destes a actuar permanentemente em Portugal, o mundo do crime lusitano ia com certeza emigrar para Espanha. Os meus serões de domingo teriam outro nível, isso posso garantir.

Mais uma pista – Fun Lovin' Criminals - Couldn't get it right


PS – Será que consigo convencer a CBS a contratar-me para tentar descobrir o paradeiro do ex-pequeno Saúl?

16.11.07

Ordem na sala

Que a malta gosta muito de encher o peito (não é uma piada sobre silicone, mas podia ser) e de usar, por exemplo, as abreviações Dr.-Eng.-Prof. como equivalente a título nobiliárquico não é segredo nenhum. Aliás, a história do corporativismo não é coisa do passado meus caros, ele existe mas agora já não é visto como um inimigo a abater, mas sim como uma consequência natural da sociedade moderna.
Se formos a ver, Ordens de tudo quanto é profissão de estatuto social (ou elite intelectual) ainda existem aí a pontapé, De Advogados a Engenheiros, de Farmacêuticos a Arquitectos, só para citar alguns, não faltam por aí casos desta espécie de sindicatos para copinhos de leite. Como apontamento, ainda ontem ouvi o Bastonário da Ordem dos Médicos dizer que nem sequer põe a hipótese de ser alterado o Código Deontológico da Ordem para ficar em conformidade com a lei do aborto. Ou seja, sim senhor a malta cumpre a lei porque é obrigada, mas no nosso recreio quem manda somos nós.
Numa perspectiva genérica, a sociedade de classes da época medieval ao fim ao cabo ainda existe, só que se trocaram por letras e por uma escala menos estanque (alta-média-baixa) aquilo que antigamente se chamava simplesmente clero-nobreza-e gajos que servem de saco de pancada para todas as ocasiões. O que dantes se pagava de dízimo em couves, cereais ou trabalho, paga-se hoje em honorários pelos serviços dos senhores ou até mesmo favores sexuais, nos casos em que a primeira não seja possíveis ou mediante acordo prévio (ou posterior) entre as partes.
Não indo eu à bola com ordens, sejam elas com “O” pequeno ou grande, custa-me um bocado a digerir esta história de clubinhos privados que não tenham como propósito alguém tirar a roupa (de maneira artística) lá dentro. Por isso, cada vez que vejo um Bastonário a debitar professoralmente sentenças nos media apetece-me redecorá-lo, de modo apropriado, à bastonada.
Além disso, ocorre-me sempre uma questão pertinente: porque é que nunca ouvimos na televisão ou na rádio o Bastonário da Ordem dos Templários a dar as suas opiniões? Ver um tipo numa cota de malha, de escudo e espada, opinando sobre os conflitos globais, o regresso dos tons metálicos às passerelles ou até das hipóteses de Portugal nos JO de Pequim na categoria de esgrima, isso sim seria de louvar.
Mas infelizmente, só se vêem os “doutores” do costume, que muitas vezes não contentes em terem uma Ordem só para eles brincarem, ainda têm outros grupos para usarem apertos de mão secretos, aventais como uniformes ou juntando-se a pandilhas de nome em latim que rimam com a palavra gay. Um autêntico regabofe da criançada.
Quanto ao resto da malta que não tem essas aspirações, ou deixa crescer umas patilhas valentes (o bigode já não é ícone) e usa uma camisa de xadrez aberta até meio para se juntar a um sindicato clássico, ou escolhe uma profissão técnica de requinte que possa lixar a vida aos gajos das Ordens, só para não se ficarem a rir.
Creio que não me enquadro em nenhum destes cenários, mas se for preciso um Bastonário da Ordem dos blogs idiotas, estou disponível.

Música da ordem: New order – Blue Monday

14.11.07

Decerto, de ideias

Que se lixe quem disse: “Só há duas coisas certas na vida, a morte e os impostos”. Para além de obviamente isso ser um insulto a todos os artistas lusos da fuga fiscal, irrita-me que o autor, um tal de Franklin tivesse tempo para ser político revolucionário, cientista, inventor e ainda debitar frases pomposas como esta, enquanto que uma mente (mal) iluminada como a minha até para escrever umas linhas miseráveis num pasquim cibernético se vê à rasca de tempo.
E vai daí não é que dei por mim a pensar com maturidade no que são realmente as certezas da vida, enquanto me dedicava a forrar a fechadura do vizinho com pastilha elástica. Tudo bem, temos a morte, olha que bom. Mas, bem vistas as coisas, até a morte é incerta, não em termos de sermos imortais a la Duncan MacLeod do clã Macleod, mas na forma como a dita cuja chega. A bom ver, não há questionário nenhum onde um gajo possa escolher a opção de morrer aos 93 anos com um sorriso nos lábios e uma top model italiana ao lado na cama, por isso mais vale nem sequer pensar muito no assunto.
Mas, porque de certos os impostos têm pouco, matutei mais um pouco sobre o que poderia considerar uma certeza na vida, nem que fosse para não deixar a Morte sozinha, coisa que não se deve fazer a uma senhora, a não ser que ela nos dê uma chapada segundos antes. Procurei então algo profundo, porque dizer “Certo só a morte e as coisas que ficam presas nos dentes“ ou “Certo só a morte e seres roubado num táxi do aeroporto” não são frases dignas de serem citadas por gerações vindouras.
Devo dizer que depois de cerca de....dois minutos e trinta e oito segundos depois de ter começado a ponderar profundamente sobre o assunto fui distraído por um episódio típico da Oprah, em que um jovem dava graças ao Destino por primeiro lhe levado os dois braços num acidente num acidente industrial e depois as duas pernas num atropelamento enquanto treinava para a maratona. Foi isso que lhe permitiu construir pequenos presépios com a língua, que são agora vendidos a preços de obra de arte.
Já não consegui prosseguir esta linha de raciocínio, pois tentar escrever posts enquanto se treina a arte de marcenaria lingual não é fácil e não deixa ver bem o que se está a escrever. Peço-vos, pela primeira vez na vossa vida, que deixem aqui um input útil se assim o entenderem.

“Só há duas coisas REALMENTE certas na vida, a morte e...”


Para inspirar: Live - Selling the Drama (chorem pedras da calçada, chorem, quero ver emoção na web)

12.11.07

Allgarviada

Sim, o tempo está bom. Na verdade, se o tempo continuar assim tão bom arrisco-me a que para o ano os indefectíveis das férias em Agosto, que desimpediam o caminho para eu fazer férias noutros meses, comecem a pensar que Outubro afinal é o mês ideal para ir para Manta Rôta, Armação de Pêra ou levar os putos para o exílio em Manhufe com a avó, entupindo estradas e fazendo com que o Agosto em Lisboa não seja a bela calmaria a que me habituei.
Mas, deixando o debate do futuro gore do clima para o próprio do Gore, a mim mais do que o calor, o que me surpreende é ver que a malta confinua a investir no Allgarve como destino de férias...
Para mim essa dita região deixou de fazer sentido para férias para aí em 1990. Um fim de semana ou outro a caminho de outro sítio qualquer, uma festa específica ou a emigração para Marrocos em colchão flutuante do Avô Cantigas, são para mim as únicas excepções que justificam uma permanência acima de residual na zona. Quando quiser ir para um sítio com mais água e areia e menos gente a falar português experimento a vida na construção civil, que aí pelo menos sou eu que recebo o dinheiro.
É certo que o país é pequeno minha gente, mas essa é uma boa razão para conhecê-lo todo mais depressa. A desculpa do bom tempo e da praia já era, porque com este andamento, mais um anito ou dois e até Viseu tem estâncias balneares. O Algarve é o último refúgio das pessoas com poucas ideias e pouca vontade de ter ideias, no que a férias e destinos para as mesmas diz respeito.
Sítio bons nessa zona? Devem sobreviver alguns, que espero que quem os conheça não os divulgue, nem sequer aquelas revistas que semana sim, semana não nos revelam os ex-destinos secretos óptimos para férias e escapadelas (que não matrimoniais).
Quanto a mim, quando posso faço pela vida. Nas próximas férias está feito, Duas semanas de campismo na Brandoa, que é a versão de um safari para o meu orçamento.

A dar à costa – Rockers Hi Fi – Going Under

8.11.07

Destas não te libras

Embora não tenha aspirações a tomar algum dia o espaço do Professor Marcelo, a não ser que se refiram ao espaço bancário, considero oportuno deixar umas notitas finais sobre esta pequena passagem por terras de Isabelita e seus súbditos.
Não se pense com elas que vou ser daqueles indivíduos que diz que em Portugal é tudo mau e lá fora é tudo bom, já que isso seria uma incoerência de carácter (se eu o tivesse). A realidade é esta, digo mal de tudo em todo o lado, mas sou acima de tudo uma espécie de Indiana Jones em busca de curiosidades perdidas, só que sem charme e sem chapéu.

- A arrogância britânica é sobrevalorizada. Na verdade, procurei ser vítima de arrogância em vários lados, desde pubs a supemercados, lojas de marca ou pedidos de informações aleatórios e não consegui ver o meu desejo de vitimização satisfeito. Tenho a vaga ideia que em Portugal teria menos trabalho, com a desvantagem de não conseguir praticar o meu inglês.

- “Hora de almoço” é sinónimo de “Come trampa e bebe para esquecer o que comeste”. Algo que já me tinha apercebido em visitas anteriores e comprovado nesta é que na “Bifolândia urbana” almoçar em dia de trabalho é uma experiência diferente. Basicamente, o prato corrente é “Pints a murro em cama de qualquer trampa pouco substancial deglutida enquanto o diabo esfrega um olho”.

- Simpatia que se vê no fim do mês. Uma coisa que me intrigou foi o facto dos motoristas dos comuns autocarros se despedirem afavelmente das pessoas quando elas saem do seu bus, muitas vezes, agradecendo ainda por cima. Pensei que ali havia truque ou uma compensação emocional desajustada, até que soube quanto ganhavam – cerca de 400 contos. Vou tirar a carta de pesados de passageiros e passar a vida a sorrir sem preocupações.

- Espaços verdes. Entre Londres e Oxford apercebi-me que os senhores, em termos de parques e jardins enquanto espaços enquadrados numa cidade, dão-nos goleadas monumentais. Creio até que há ingleses com mais verde nos dentes do que jardins em Lisboa.

- Cosmética e a teoria do bolo de anos. Se de facto se tem uma certa noção que as mulheres londrinas e afins tentam cuidar na sua imagem, também é justo dizer que se é verdade que uma boa maquilhagem pode “dar o tempero certo” a uma mulher, desfiles de bolos de anos na cara por toda a parte não têm o mesmo efeito.

- Medir as distâncias. Suponham que moram em Lisboa, mas têm amigos em Coimbra e gostavam de ir lá sair à noite ou de convidá-los para jantar, apesar de eles não terem carro. Entre Alfas e Expressos, não apanhar um autocarro ou um comboio à hora pretendida manda tudo às malvas, para não falar que viajar depois da meia noite, só se for nas traseiras de um Camião TIR. Londres e Oxford distam pouco mais de uma hora e meia. Há pelo menos duas companhias de autocarros que têm partidas de 15 em 15 minutos, dia e noite. E cumprem horários, traço geral. E se comprares ida e volta o desconto é tipo de 50% e não de 1€ a menos. Comboios nem vi, mas sei que há.

Resumindo o que daria uma Bíblia, o custo de vida lá é caro? É, mas é uma realidade diferente e o que têm para justificar esse custo, justifica perfeitamente a factura a pagar, parece-me. O problema do nosso burgo é que pagamos muito pelo pouco que nos dão e tentam fazer-nos acreditar no contrário.
Mas, idealistas como somos, continuamos a acreditar que isto pode mudar, que aquilo temos e vai para além do material e palpável nos torna um país único onde vale a pena viver.
Estupidez utópica ou o mistério científico de gostar de ser português?
Enquanto não percebo qual é a melhor resposta, defendo um misto dos dois: Gostar estupidamente de ser português, mas ponderar fazer digressões internacionais para divulgar o conceito.

Soando em background – Iggy Pop – The Passenger

6.11.07

Ollie Shit



Sou um tipo tão radical, tão radical, que foi preciso ir à Inglaterra para perceber que um half pint não é aquela cena em U onde skaters os fazem habilidades.

Mas, embora não tenha queda para o assunto, não tenho problemas em admitir que este senhor aqui em baixo não segue o meu exemplo...

5.11.07

Falha, mas não tarda


Poderia contar muito sobre o meu périplo por Londres e arredores (leia-se Oxford e Clapham Junction, onde aprendi muito sobre ligações ferroviárias). Mas, por agora, sabendo que a capacidade de absorção de informação do comum leitor é assim para o reduzido, fiquemos pelo apontamento cultural que me deu a oportunidade de mostrar que, artistas somos todos.
Indo eu à Tate Modern simplesmente porque tinha escrito num papel “Ir à Tate Modern para depois poder dizer que fui à Tate Modern”, reparei numa exposição de Arte Moderna de uma madame colombiana de seu nome Doris Salcedo. Sabendo que, na Colômbia, para além de futebolistas de corte de cabelo duvidoso abunda a droga (fonte de aspiração para muito artista), decidi ir ver.
O nome da exposição “Shibboleth” dizia-me muito, mas como não percebia o que ele dizia fui saber o significado, que passo a transcrever “A shibbolleth is a custom, phrase or use of language that acts as a test of belonging to a particular social group or class. By definition, it is used to exclude those deemed unsuitable to join this group.".
Chegado ao sítio da mesma, vi-me perante o cenário de não a conseguir encontrar, tendo no entanto achado suspeita uma falha no solo que ia de um lado ao outro de uma sala, para aí com mais de 150 metros. Resolvi perguntar a um dos funcionários onde era a exposição, respondendo-me ele com um sorriso: “Está a olhar para ela”.
A falha foi minha, mas antes de o ser já era da Doris Salcedo, que fez dela uma exposição. Não tenho aspirações artísticas, embora consiga fingir muito bem, mas senti-me um pouco enganado. Não pela falha, que essa era o que era, mas pelo facto de isto da arte moderna ser sempre uma questão de contexto/intenção do artista.
Sim, porque eu acho que vi uma, quanto muito interessante, forma de interagir com o público que tenta avidamente procurar significado ou ver se só há mesmo a falha, havendo até alguns ursos que, como eu, ficam na dúvida se aquilo é arte ou danos estruturais na galeria. Já a Doris viu que “it represents borders, the experience of immigrants, the experience of segregation, the experience of racial hatred. It is the experience of a Third World person coming into the heart of Europe.”
Ok, tudo bem o trabalho é dela, apesar de já ter visto muitas réplicas do mesmo em muitos prédios de Lisboa. O que me chateia nisto do conceptual é que eu, olhando para as migalhas do meu pequeno almoço posso pôr-lhes uma placa ao lado a dizer “Despojos do dia – Esta obra representa a atitude imperialista e a soberba dos países mais abastados, que fazem dos seus excedentes uma dádiva para os que necessitam, partilhando apenas o que desdenham e não o que valorizam”.
Não me custa nada, não vale de muito e, o mais triste de tudo, é que ninguém me vai dar uma galeria para eu encher de migalhas e fazer uns cobres pelo meio. É mais uma falha minha para eu juntar à da Doris...

A rodar, sem falha – Devo – (I can’t get no) Satisfaction

30.10.07

Londres da vista, Londres do coração


Desculpem a ausência, mas tenho andado a fazer as malas, treinar o sotaque e a aperfeiçoar novas maneiras de meter nojo.

Só as malas é que ainda não estão como eu quero, porque tuga que é tuga assume que fala todas as línguas na perfeição, do cazaque ao aborígene. Na parte do meter nojo, quando os parentes mais próximos nos garantem que nos levam ao aeroporto, mas só se prometermos que não voltamos, está tudo dito.

On the air (tal como eu estarei amanhã) - Clash - London Calling

26.10.07

Pequeno interlúdio sobre cuecas, festa e bananas

José Cid "volta" a estar na berra. E nos berros.
Não é um apontamento novo, mas faz-nos reflectir sobre higiene íntima, a diferença entre concertos e festas e o desequilíbrio que uma banana pode causar...

25.10.07

Isolamento a quanto obrigas


Muitas vezes oiço nas notícias e em conversas de malta sábia, que há muita gente em Portugal que sofre por causa do isolamento. Não me surpreende tal afirmação, é algo que aprendi desde pequeno, apesar de nunca ter vivido no interior ou ter sido o único miúdo da minha turma (tirando se fizermos a distinção entre com cadastro/sem cadastro).
No entanto, tenho ouvido recentemente muitos amigos e conhecidos dos mesmos queixarem-se desse problema, mostrando que é talvez mais grave o problema de isolamento nas grandes cidades, do que nos sítios mais propícios para esse fenómeno ter lugar.
É talvez porque me recordo com algum trauma ainda latente, que o isolamento deficiente do prédio em que vivia, quando era miúdo, me deixava ouvir a minha já entradota vizinha de cima a sofrer muito, a sofrer mesmo muito, chamando até pelo Senhor. Só no dia em que ouvi um grande baque, seguido da frase “Querido, caíste!!! Magoaste-te??” é que percebi a dita senhora não era tão doente como eu pensava e passei a ter algum medo de andar no elevador com ela, já que partilhava o mesmo nome que o seu garanhão favorito.
Mas, o isolamento não é assim tão linear, afecta as pessoas de várias maneiras, algo que aprendi também quando era criança. É que o isolamento é algo que se verifica tanto em cima como em baixo, onde uma líbido feminina era contrariada por um macho não muito latino, dando origem a tiradas traumatizantes como: “Não querida hoje não, HOJE NÃO!!” ou “Oh Maria de Lurdes, nenhuma mulher FAZ essas coisas a um homem!!!”.
Se em criança, o isolamento pode ser muito traumatizante, creio que em adulto, quer por factores de inveja, quer pelo facto de ainda haver pessoas que trabalham em horários normais, transtorna muito mais a vida. Tenho amigos que andam com olheiras de nível olímpico, queixando-se que têm um rodeo a funcionar até altas horas mesmo por cima do andar deles e outros que alegam que moram por baixo do Poltergeist ou de um bar de estivadores, tal é o arrastar de mobília e palavreado obsceno com que são bombardeados.
Embora hoje em dia já não seja vítima directa, deixo um apelo a todos os construtores civis que frequentam este blog (de profissão e não de espírito). Vamos lá a ser menos oportunistas, não poupar tanto no material e tornar os males do isolamento um fenómeno exclusivo do interior. Que tal, pode ser?

PS – Sou totalmente a favor do amor, da liberdade de expressão e da libertação de energias, mas ainda acredito que para se atingir o climax da felicidade não é necessário fornicar o juízo do vizinho de baixo (ou de cima) no processo.

Entre paredes - Soup Dragons - I'm free

23.10.07

Alcovitismos

Como se chamaria o filho de uma relação entre o Chico Esperto e a Maria Vai Com as Outras?

A dúvida subsiste... (a resposta político português não é válida)

A pairar no ar – I think she likes me - Morphine

22.10.07

Ponto Morto

Apesar de esta afirmação não constituir grande novidade para quem frequenta o estaminé, sou de facto uma pessoa estranha. O que me leva a esta constatação é o facto de, entre outras coisas, conceber o carro apenas como um veículo útil para ir de A para B. Curiosamente, a maior parte das pessoas que conheço dirá exactamente o mesmo, mas depois esta afirmação não casa com a realidade que observo diariamente.
E o que vejo, para além de criar mau ambiente, é que também há muita gente a pensar com o órgão errado. Comparativamente a outros países europeus, vejo que o parque automóvel nacional dá abadas a muitos países e não me refiro aos desgraçadinhos de Leste, isto apesar de em termos de orçamento sermos goleados a torto e a direito por esses mesmos países. A percentagem de carros com uma só pessoa é igual é quase tão dominante como a de gajos que viram “O crime do Padre Álvaro” por causa da Soraia Chaves.
Se me disserem que o carro é um facilitador de vida eu concordo (apesar de boa parte do condutores matinais/fim de dia que vejo terem um ar dificilmente simpático), que aleguem que a rede de transportes está a anos luz de ser perfeita eu concordo e que há zonas em que é impossível levar uma vida normal sem usar diariamente o carro, até aí eu aceito. Mas, a história de, “Ah eu sou obrigado a usar o carro”, essa já não cola tão bem. Para alguns será verdade, para muitos que conheço, depois de se apanharem num carro, é uma desculpa conveniente que amplia os defeitos que mencionei ao máximo.
Malta que passa a vida em stress dentro de um carro, que vive em função das horas do trânsito, que sofre horrores se tem de estacionar o carro a mais de cinco metros do sítio onde vai, que te olha como se fosses louco se dizes que fazes regularmente a Avenida da República a pé, que se enterra em crédito para trocar de carro e ter sempre um modelo muito superior ao que realmente precisa e que fala dos transportes como se da Peste Negra se tratasse, tudo isto é gente que há muito perdeu o discernimento do equilíbrio.
Nada me move contra o uso do carro, nunca fui atropelado (tirando mentalmente), tenho carta e até gosto de conduzir. Simplesmente cresci sem me tornar dependente do bicho e sempre estudei, pratiquei desporto e tive vida social sem ter a necessidade absoluta do carro (que dá muito jeito sim senhor em certas ocasiões). Irrita-me talvez o burguesismo da turma do cu-tremido, especialmente numa geração em que o carro já não é muitas vezes fruto de muito esforço e trabalho, mas simplesmente mais um prego no caixão a crédito ou a prendinha trivial e obrigatória para o filhinho que faz 18 anos.
Caso não dê notícias nos próximos três dias, peço ao pessoal da PJ que frequenta o blog que investigue atropelamentos e fuga na zona de Lisboa, que eu sei bem que este pessoal é vingativo.

A circular pela direita – The Cars – Drive (com mofo e tudo)

PS – Se não notaste que escrevi Padre Álvaro em vez de Amaro é bem possível que tenhas ido ver o filme pelas razões que citei.

PSS – Sim, sou daqueles meninos que sempre viveu em Lisboa, estudou em Lisboa, trabalha em Lisboa e de casa ao emprego são cerca de 20 mins a pé, 10 de bus e 5 de metro...

19.10.07

Censo Comum

Prosseguindo nesta fase muito humana da minha verve, debruço-me hoje sobre o facto da maior parte das pessoas que sofre do mal de ter (ou pensar que tem) amigos, ter nesse mesmo lote alguém que trabalha no INE.
Enquanto se questionam se eu já nasci assim ou fui vítima de grave acidente, deixem-me esclarecer: o amigo do INE, que já estão a negar à partida conhecer, não é necessariamente um funcionário dessa nobre instituição dedicada às artes estatísticas, apenas se comporta como tal. Caramba meu biltre, muito gostas tu de metáforas de cariz duvidoso, replicam vocês, insistindo em não ficar calados ao ler os meus textos. Antes metáforas do que mulheres desse género, avanço eu sem grande mestria, tentando voltar ao tema.
O amigo do INE é aquele que disseca a nossa/vossa vida, sem que tal seja sinónimo de preocupação pela mesma, mas sim de uma curiosidade mórbida por factos e dados específicos, essencialmente sobre bens materiais. É aquele personagem que troca o “Olá tudo bem”, “Que é feito de ti?”, “Vamos beber um copo?” ou “Como é que estão os teus pais?”, por coisas simples e amistosas logo de entrada, como por exemplo: “Então estás a trabalhar onde? Ganhas quanto, limpo?, “Já compraste casa? Quanto pagas, por quanto tempo?”, “Vives sozinho ou com a tua namorada? Possuem carro próprio? Cada um?” (esta, há provas que a pergunta foi literalmente feita assim a uma dada pessoa, não é invenção pura) e muito, muito mais.
Embora defensor acérrimo do materialismo, visto não ter muito a esperar da vida em termos de espiritualidade, este tipo de abordagem melindra-me um bocado o sistema, especialmente porque tendo-se na conta de “nossos amigos”, muitas vezes esta gente dispensa os rodeios de nem sequer se disfarçar a avidez de informação.
“Tens quantos ténis de marca?”, “Essas férias ficaram-te por quanto?”, “Os implantes de silicone da tua irmã foram feitos onde e por que verba?” são temas naturais e essenciais para o amigo do INE, sempre abordados com um sorriso nos lábios. Para mim não colam. As pessoas que fui dado a conhecer, e que faziam deste registo uma constante, posso dizer que hoje não constam do meu cardápio de contactos regulares.
A título de dica da semana, eis algumas respostas para acabar com esse questionar constantemente, sobre matérias semelhantes. Depois de rebater as perguntas: “Esse relógio foi comprado cá?” e “Então, quanto costumas pagar em média por um corte de cabelo?”, avancem com algo como:

- Olha, dá-me o teu email lá do INE, que eu quando tiver mais tempo respondo-te ao questionário. (se não a tiver já de modo natural, a cara de parvo do interlocutor tem valor acrescentado)
- Desculpa, podes repetir as perguntas? O barulho da calculadora na tua cabeça não me deixou percebê-las.
- Jovem, e se para varia fosse eu a fazer-te uma pergunta. E que tal se fosses ser chato para o c....? (menos elegante e, até certo ponto, pleonástica, esta resposta garante no entanto a paz eterna, no que a este caso específico diz respeito.)

PS – Para mostrar que também sou um gajo atento ao mundo actual, despeço-me com um facto sobre o “Tratado de Lisboa”, ao que parece acertado ontem à noite. Porque é que tenho a ideia que Portugal é tipo um empregado de mesa que está muito contente pelos elogios feitos à ementa do restaurante, pensando que sem ele o sucesso do mesmo era impossível. Pode ser que nos dêem gorjeta...

On air - Thievery Corporation - Richest Man in Babylon

16.10.07

Aturar o próximo




O que eu mais gosto nas pessoas é o facto de, traço geral, não se poder confiar nelas. Aumenta a imprevisibilidade e afasta o marasmo, além de fazer com que tenhamos sempre motivo para nos entretermos a ver as suas movimentações. Eis um simples exemplo que, numa escala mínima, nos deixa ver as possibilidades oferecidas por um confronto com um invertebrado social:
Estava eu a caminho do burgo profissional, quando vejo alguém muito sábio e douto a comentar algo que por acaso tinha a ver com o que faço para ganhar a vida (para além de acartar caixotes de fruta no MARL). Vi logo, pelo início da conversa, que percebia tanto daquilo, como eu de gramática vietnamita. Calmamente, deixei-a cavar a sua sepultura temática enquanto o seu ouvinte mostrava espanto por tanta sapiência, até que achei que era hora de intervir, coisa que faço raramente, pois apoio a máxima do Jardim Zoológico de não alimentar os animais.
Aproveitando uma pergunta retórica do orador, disparei uma intervenção flecha à testa do mesmo, mantendo o ar inocente que uma barba de três dias permite. O comentário foi simples, mas chegou para fazer vacilar a personagem que reagiu com o toque tradicional de quem pretende defender a sua honra, mesmo não sabendo como.
- Como é que você sabe isso?
A questão nasceu possivelmente da sua observação rápida à minha pessoa. É que ainda se avalia muito as pessoas pela indumentária e eu, que estou dispensado de usar fato, camisa, máquina de barbear e afins no meu dia à dia, devo ter parecido um ET a questionar um humano sobre os hábitos terrestres. Mas, o segundo golpe ia a caminho:
- Fácil. Fui eu que fiz.
O adversário vacila e cai ao tapete.
O combate parece estar decidido.
Eis quando, o terceiro elemento, o tal que ouvia a palestra do artista agora KO, decide intervir. E, curiosamente defende o campeão vencido, mostrando o seu desagrado pelas pessoas que sabem tudo, mas apontando a arma na direcção errada – a minha.
Apesar de tudo, saí dali satisfeito, com mais uma moral da história para partilhar. Ninguém gosta de um sabichão, mas quase toda a gente adora um imbecil.

15.10.07

O mau não dorme

Que este título não vos dê a indicação de uma reivindicação poética de justiça ou um olhar omnipotente sobre o mundo. Refere-se apenas ao facto de eu, devido à vida desregrada que levo, ficando a beber chá até às tantas e a desafiar o perigo ao ver Sic Mulher que nem um maluco, andar com um deficit de horas de sono.
Ora, quando não durmo, os índices de bílis aumentam e, como tal, eis três considerações de início de semana:

Carência de Capital – Já percebi finalmente este sistema criado pelos bancos de que tanto já tinha ouvido falar, tudo graças ao esforço do Millenium BCP. Para quem não saiba, carência de capital aplica-se quando um filho carente de um administrador de um banco pede ao pai para não pagar o capital que deve ao mesmo. O mesmo concorda e manda espremer uns quantos filhos de alguém que não tenham tanta carência para recuperar a guitola noutro sítio.
Cromos da Bola – O mundo do desporto está, na sua generalidade, povoado de frases feitas, jornalistas artistas do vocábulo e cortes de cabelo duvidosos. Talvez seja também por culpa de atletas, técnicos e dirigentes, que repetem na sua generalidade uma mesma cassete de diálogo, vendida pela Planeta Agostini em 1957 e que tem passado, desde então, de geração para geração. A verdade é que também não consigo ver um jornal, site ou transmissão de desporto sem os gracejos seculares e as acutilantes tiradas que já estão mais gastas do que as molas de um colchão de uma qualquer pensão de 5a categoria. Exige-se uma renovação do stock humorístico desta gente. Rápido, porque há gente a sofrer.

Encher Chouriços – Gosto da forma como a RTP vai enchendo um belo chouriço até começar a transmitir a sério a 3ª Série do Lost. Primeiro repete os episódios que já tinha dado há uns meses atrás e interrompido aí porque ainda não tinha comprado mais (não tinham dinheiro, fossem ao Millenium). Depois transmite este fds um pseudo-documentário com dois dos produtores, como que um “Guia de sobrevivência”. Não explicam no entanto como sobreviver ao tédio de ver dois senhores que devem estar cheios de guita à conta da série, a debitar evidências que qualquer amiba já sabe, caso tenha visto dois ou três episódios. Quem se diverte no meio disto tudo? Suponho que só a malta que tem Alzheimer...

Para começar com qualidade - Radiohead - Street Spirit

10.10.07

Fast-Living

Sempre dado a filosofias baratas e a palavras caras, quando dei por mim noutro dia já teorizava sobre o facto do ritmo de vida ser cada vez mais rápido e da maneira como isso se reflectia nos ciclos de vida de tudo aquilo que nos rodeia. Atentemos ao quadro seguinte (sempre quis dizer isto perante uma plateia atenta num qualquer auditório. Não sendo possível, dois gajos com pouco que fazer num blog também serverm).

Aqui há uns anos, eis algumas coisas que era suposto durarem uma vida inteira, salvo imprevistos:

Casamento
Emprego
Carro
Clube
Electrodomésticos diversos


Coisas que hoje em dia têm mais hipóteses de durar uma vida inteira

Empréstimo da casa
Clube



Poderia argumentar-se: “Ah, os tempos são outros. Há mais escolha, mais liberdade, mais de tudo para todos”. É um facto inegável, mas parece-me que tanta facilidade veio baralhar algumas mentes e olhem que se há gajo adepto da mudança sou eu.
O facto de nada ser garantido transforma muitas vezes a liberdade de escolha em insegurança na mesma e, às tantas, liberdade de escolha, ausência de critério e desorientação total andam de mãos dadas. No entanto, é curioso que as coisas que agora são para a vida (empréstimo e clube) são, na sua generalidade, fontes de sofrimento pré-satisfação em que pouco depende só de nós. Tudo bem, ter uma casa dá alegria e ver o clube que se gosta a ganhar (para quem liga a isso é claro) dá gozo, mas pelo meio há muita unha roída e caminho penoso. Já dizia o zarolho, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, mas não me lembro de a seguir vir “de 10 em 10 minutos”, até porque não é por um tipo ter só um olho a funcionar que precisa de ter vistas curtas.
Se eu fosse sábio e profético diria: é possível mudar e experimentar muitas vezes ao longo da vida sem ser necessariamente inconstante. É sempre uma questão de critério e ausência de alucinogéneos. Mas, como sou algo rudimentar, a minha falta de fé na espécie humana não me deixa ter resposta na matéria. Prefiro esperar para ver, isto se não mudar de ideias entretanto.

Por agora ouve-se: David Bowie - Changes

9.10.07

Senhor Doutor, por favor...

Decidi que a melhor forma de acordar sem ficar 45 minutos a driblar o despertador a la Cristiano Ronaldo, era colocar o rádio numa estação informativa onde as últimas do mundo real me arrancariam do mundo dos sonhos. Nos últimos tempos não me posso queixar, diversas personalidades têm cumprido o seu papel de despertador na perfeição, desde o Mourinho ao W. Bush (por ordem de importância), passando pelo Sócrates, Paulo Bento e uma senhora de voz sexy que me tentava convencer a comprar casa através do banco que era amigo dela.
Mas, uma ligeira mudança de horário veio alterar tudo. Nos últimos dias tenho acordado com uma espécie de magazine diário, dizem eles dedicado a úteis conselhos clínicos. Da primeira vez, enquanto me desviava da poça de baba na almofada, pensei: “Olha que interessante, pode ser que ensinem a cortar as unhas dos pés sem usar serrote”. Está bem abelha, nos dias em que tenho apanhado o Sr. Doutor cada vez mais me convenço que aquilo é uma experiência sobre a influência das ondas da rádio sobre estômagos sensíveis. Ele é herpes genital, ele é furúnculos, ele é o espectro de cores da urina, ele é eu a pensar que os pesadelos afinal começam quando acordo.
Hoje foi a gota de água ou melhor, antes tivesse sido. Ao invés tratou-se de saber tudo sobre sangramento nas fezes. Meus caros, eu sou uma pessoa curiosa, mas não quero, friso NÃO QUERO acordar ao som de palavras como hemorróidas e sangue vivo, fissuras anais ou tumores malignos. Não quero saber antes de tomar o pequeno almoço e ainda menos logo a seguir ao mesmo que agora até já há testes que não implicam a introdução de instrumentos pelo ânus acima.
Por isso, Sr. Dr. peço-lhe para guardar esses temas sumarentos para o fim da tarde, quando a digestão já está feita e o trabalho acumulado já faz qualquer distracção paecer uma benção. Até lá, use umas coisas moderadas estilo caminhadas matinais ou a roda dos alimentos para o meu despertar. Garanto-lhe que isso vai fazer maravilhas pela minha saúde, começando pela mental.

Tratamento sonoro - A Pain that i'm used to - Depeche Mode

8.10.07

Playing dead

Aproveitei o nascimento de um novo layout para o blog (desde já agradeço ao pessoal da ACAPO pelas dicas que deu), para tocar num tema assim para os lados contrários do espectro: o acto de “fazer-se de morto”.
Não é fruto do álcool este análise, mas sim de um estudo conjunto com a Universidade de Badmington, em Inglaterra. Desde os primórdios que a Natureza dotou diversos seres vivos com a capacidade de se fazerem de mortos pelos mais diversos motivos. Ora o Homem que, apesar de o ser, sempre teve a ideia que não era parvo nenhum, não só copiou o que a bicharada tinha de melhor nesta aspecto da “morte aparente”, como fez desta actividade uma verdadeira arte. E, quando digo o Homem, é naquele sentido em que também se inclui a Mulher, a qual tem indubitavelmente créditos firmados nesta área.
De facto, se querem aprender tudo sobre o que é “fazer-se de morto”, esqueçam o BBC Vida Selvagem e o National Geographic. Basta abrir a pestana para ver que não faltam “zombies” à vossa volta e nem quero ir pela política, que isso dava uma reserva natural maior que o Kruger Park. Pode ser gente que gosta “de se fazer de morta” no emprego, na vida sentimental ou social, para passar três lugares à frente na fila do supermercado ou, nos casos mais graves, em todas as anteriores.
Para quem é tapadinho o suficiente para não ter já uns quantos nomes a bailar no espaço deixado vago por neurónios abatidos por uma vida desregrada, vejam este padrão. Quem é bom “a fazer de morto” nunca faz referência directa ao que realmente quer. Arranja sempre um artifício que faça a outra pessoa ficar mais receptível a aceder ao que o artista pretende que ela faça. O “zombie” com nível assume os seus defeitos/falhas e usa-os como arma de arremesso contra corações moles e almas ingénuas, fazendo-os sentir culpados por coisas que, traço geral, são da exclusiva responsabilidade do “morto-vivo”. Quem se faz de morto não é um desgraçadinho, é apenas alguém que se sabe deitar na estrada da vida, à espera que mais um bom samaritano pare e lhes dê uma mãozinha.
É aquele colega simpático do qual não temos razões de queixa e de quem até temos alguma pena, sem repararmos que consegue sair sempre a horas e, por um motivo ou outro, nos entala com trabalho. É aquele amigo ausente do qual continuamos a gostar, apesar de nunca responder aos nossos convites, nos deixar pendurados constantemente e ainda nos cobrar porque não lhe damos atenção. São aqueles que fazem alarde da sua luta pelo parceiro ideal (ou irreal?) que o destino lhes insiste em negar, os quais apoiamos em pleno enquanto nos esquecemos de uns quantos que já foram chacinados injustamente nessa luta. É toda a gente que foge da frontalidade por sistema, sem nunca querer pagar o preço dessa fuga.
Fazer de morto é coisa natural, nesse capítulo não há volta a dar. Mas, se em certas espécies é mecanismo essencial para a sobrevivência da mesma, no caso das pessoas é um mecanismo artificial para sacanear o próximo. E, para artificial já me bastam as minhas madeixas loiras.
Por isso, se gostas de fazer olhinhos de carneiro mal morto, tens atitude de cachorrinho ferido na berma da auto estrada e revês com saudade vídeos do João Vieira Pinto a sacar penalties, desampara-me a loja. Mas, não te esqueças de votar naquela caixa do canto superior direito, porque todos os votos contam, até os dos mortos vivos.

No ar: Smashing Pumpkins - We only come out at night

2.10.07

O que se ganha com o tempo perdido



Sou um fã de tortura psicológica e agressão mental. Acho que é um passatempo que aplica bem a um franganote como eu e justifica plenamente a criação de um pasquim como este. Além do mais, é a única razão minimamente plausível que tenho para ter passado uma parte da minha tarde domingueira a (re)ver boa parte de um filme que incluia o Sylvester Stallone como guarda-redes, o Michael Caine a não disfarçar uma gravidez avançada usando equipamentos justos e o Pelé mascarado de cidadão de Trinidad e Tobago, falando um idioma que se assemelhava muito vagamente ao inglês.
Metia nazis entusiastas do futebol, metia planos de fuga que fariam corar de vergonha um qualquer Clint Eastwood encarcerado em Alcatraz, metia patriotismo de fazer querer cantar um hino qualquer à mão de semear, metia um abuso do slow motion que era uma coisa parva e metia um descritivo básico de como partir um braço a um tipo, de modo simples usando um estrado de uma cama.
Depois de ver o Pelé a marcar um penalty de braço ao peito e o Stallone a defender um penalty depois de um face a face tipo faroeste com o craque germânico, repensei a minha vida. Tenho de arranjar algo melhor para fazer aos domingos à tarde, nem que seja apedrejar escuteiros.


Now playing - Disposable Heroes of Hiphophrisy - Television, the drug of the nation

27.9.07

Eu é que sou o convidado da Junta

Por norma eu nem gosto de circo, mas desta vez até fui obrigado a bater palmas a um palhaço.

Who's the special one now?

26.9.07

Pastelaria fina, asneira da grossa

Pois que este episódio remonta a Domingo passado. Num acesso de burguesismo, laxismo e pseudo-turismo decidi (o meu frigorífico também pode ter ajudado a essa decisão) ir tomar o pequeno almoço a uma esplanada. Comi apenas uns restos de dobrada para não sair de casa sem nada no estômago e pus-me a caminho.
Residindo eu numa zona da cidade em que o número de velhotes e mesas de esplanada em pastelarias finas são quase equivalentes, achei que era desafio suficiente tentar safar-me por ali. Dirigi-me a um dos maiores templos do galão e do bolo de arroz da vizinhança e, por entre montanhas de laca, revistas sociais, jornais “A Bola” e o Borda d’Água consegui vislumbrar uma mesa. Arranquei decidido, mas a dois passos da mesa o imprevisto acontece.
Voando pelo ar surge um saco com os jornais domingueiros que aterra em cima da mesa, num ângulo perfeito, antes que eu tivesse tempo para me aproximar. Olho em volta e vejo, sorrindo com ar vitorioso e um brilho de glória no seu bigode milenar o temível Artur Agostinho, que não só continua a enganar a Morte, como também incautos como eu.
A única coisa boa de ter sido palmado à má fila por um sobrevivente do Período Cenozoico foi ver que a publicidade da Multiópticas não é enganosa, pois só com olho de falcão poderia o Farturas ter atirado o seu saquito com precisão de maneira a deixar-me apeado.
Aprendi assim, da maneira mais dura, que tomar o pequeno almoço numa esplanada ao domingo pode ser complicado e exige técnica e instinto de sobrevivência apurado. Estou a contar com isso para evitar que para a próxima também só consiga uma mesa mesmo ao lado da saída de uma garagem.

25.9.07

Momento Financial Times para agarrados

A maneira como se escreve algo, condiciona em boa parte o entendimento do assunto em questão por parte de quem lê. Por exemplo, qualquer ideia com algum brilhantismo intelectual que eu possa ter para o blog, normalmente é assassinada pelo modo barbárico como eu a disponho por palavras, sem leitor qualquer respeito pelo.
Este prelúdio serve para introduzir o prato principal, um texto simpático que retirei da versão online de um conhecido jornal diário, onde se abordava o panorama actual dos estupefacientes na Europa, segundo dados do OICE (Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes), local onde deve ser uma pedra trabalhar.
Se a notícia me parece interessante, especialmente porque ainda não escolhi o destino para as férias que me restam, gosto sobremaneira da forma como o texto relata os dados do relatório. Consultem então excertos do Índice Snifei do mercado da droga, com o rigor que só a informação de referência consegue apresentar.

“A cannabis continua a ser a droga preferida dos europeus. Calcula-se que 6% da população adulta da Europa já a tenha consumido pelo menos uma vez na vida”.
Obviamente, os reality shows não contam para esta gente.

“Mas há outros dados preocupantes a Europa é o segundo mais importante mercado de cocaína do Mundo e um dos principais pontos de circulação de estimulantes, com destaque para o ecstasy.”
Vou já tomar uns comprimiditos para estimular o meu consumo de coca, a ver se palmamos os americanos.

“Os cocainómanos representam 10% dos toxicodependentes que iniciam tratamento na Europa, o que demonstra a elevada prevalência desta droga no continente”
A minha dúvida é, se os aspiradores são 10% de que se tratam os restantes 90%, tendo em conta a elevada prevalência dos primeiros? Gomas? Morangos com Açucar? Tubos de cola? Sombrinhas de chocolate?

“A Holanda lidera os fabricantes de MDM (ecstasy), seguida da Polónia, Bélgica, Lituânia e Estónia, mas, de acordo com o organismo das Nações Unidas, o fabrico ilícito está a aumentar por toda a Europa".
Ah, que saudades do tempo em que era o fabrico lícito a dominar o cenário. Aí sim, as fábricas de ecstasy em Portugal garantiam emprego e estabilidade a muita gente, para não falar de umas after hours bem animadas.

“As metanfetaminas ainda circulam em pequena escala no espaço europeu, mas merecem já a preocupação das autoridades pelos efeitos rápidos e nefastos que provocam”.
Consta até que as brigadas de investigação são aconselhadas a tomar speeds, para terem pedalada para acompanhar o seu desenvolvimento.

“A heroína mantém-se estável na Europa Central e Ocidental, enquanto o abuso de opiáceos aumentou na Europa Oriental, principalmente nos países membros da ex-Comunidade dos Estados Independentes e da Europa do Sul situados ao longo dos Balcãs”.
E terminamos este boletim metereológico com a informação de que o Anticiclone dos Açores negou qualquer responsabilidade na deslocação das correntes de tráfico de ópio para leste e que quem apostou na queda da heroína, fê-lo no cavalo errado.

Inspirações - Sonic Youth & Cypress Hill - I love you Mary Jane

20.9.07

Special’s gone

Segundo consta, José Mourinho já tem tudo acertado para a sua saída do Chelsea. Já as negociações com o seu ego continuam complicadas. Parece que este acha que, para um clube que acaba de ser despedido, o Chelsea está a pedir uma indemnização muito alta.

19.9.07

Filosofias de Mak – Capítulo 2



Quem quer perder um amigo empreste-lhe dinheiro. Só se for parvo, acrescento eu.
Já emprestei dinheiro a vários amigos, nalguns casos autênticos bilhetes de ida e não voltes. Mas, de alguma maneira eles conseguem encontrar sempre o caminho de volta, parece que têm GPS de cravas.
Por isso, emprestar dinheiro a amigos na esperança de que eles desamparem a loja, é tão eficaz como alimentar gatos vadios na esperança de que eles, gratos pela refeição, não voltem no dia seguinte.
Quem quer perder um amigo, tem que se esforçar minimamente, que lhe seduza a namorada/o, o pai ou a mãe ou, caso os anteriores não estejam disponíveis, o animal de estimação também serve.
Que o denuncie às Finanças, que lhe esconda costeletas de porco na bagageira e ligue para a PJ a dizer que encontrou a Maddie ou que o inscreva na família Superstar como primo cantor do Fernando Mendes do Preço Certo.
Tudo isso e muito mais pode resultar. Emprestar dinheiro não.

A rodar - A ternura, já com 15 anos, de ouvir José Carreras e Sarah Brightman - Amigos para siempre

18.9.07

Lá vai o Lama

Depois de um fim de semana regado a álcool, festas, comportamentos indecorosos e o auxílio a uma velhinha a atravessar a rua só para descobrir que ela estava à espera de alguém no sítio de onde a arranquei, resolvi aproveitar o início desta semana para pensar um pouco e dedicar-me à espiritualidade.
Como todo o bom português terá pensado, nada melhor então que aproveitar a recente visita daquele carequinha de ar simpático que se veste com cortinados para isso mesmo. Numa sociedade pejada de materialismo, emociona-me o fervor com que vi muita gente falar de espiritualidade por estes dias, incluindo gajos que continuam a pensar que sem Kurt Cobain não existe o Nirvana.
É claro que este acesso de fervor budista por norma passa três minutos depois do Sôr Lama dizer adeus no aeroporto, mas acho à mesma importante que as pessoas se tentem encontrar consigo próprias, nem que tenham que combinar esse encontro num qualquer recanto da Buraca.
Confesso que tive de conter umas lágrimas enquanto via a tia Márcia Rodrigues a questionar o Tenzin, ela cada vez mais loira, ele cada vez mais pacífico falando sobre a não agressão, o respeito pela vida dos animais e a abstracção do materialismo, entre outros temas. No entanto, não pude apanhar a entrevista toda, porque tendo ir visitar a minha mãe, não podia deixar arrefecer as costeletas que ela tinha preparado, especialmente depois de lhe ter dado um carolo porque não estava calada e ainda não tinha disponível o dinheiro da reforma para eu levar.
Sim, não serei a pessoa mais espiritual do mundo, creio até que não estou no top 2 biliões, mas também não finjo que me preocupo, só porque fica bem ou está na moda. Cabe a cada um tomar essa decisão, isto se não são daqueles incapacitados que nem ir votar sozinhos podem. Mas, se estão indignados e dispostos a mandar-me para a Buda da minha mãe por tamanho chorrilho de alarvidades, fiquem aqui com estas dicas. Aposto que para além de não terem pachorra para ler tudo, menos capacidade terão para cumprir um terço das alíneas. E olhem que eu sou um gajo optimista...

Nirvana - Dumb

12.9.07

Queixinhas molhadas

Ainda que este título pudesse indiciar um qualquer consultório sentimental de índole hardcore não é disso que se trata...pelo menos hoje. É que estou farto de ouvir queixas, desde ontem à noite sobre o tempo, a trovoada e a má publicidade feita às esteticistas de Massamá. A estas últimas o meu pedido de desculpas, pois fui informado que as verdadeiras rameiras são as de Rio de Mouro. Quanto ao resto, primeiro, não há nada melhor que uma boa trovoada, especialmente quando uma das vossas janelas tem vista para uma praceta e podem, com uma bebida na mão, desfrutar durante algum tempo da magnífica obra de comédia física representada por gente em sopa a fugir como se não houvesse amanhã. Com alguma sorte, até se vê uma queda ou duas ou até mesmo bowling de idosos, efectuado por carros desgovernados.
Depois, para a gentalha miserabilista que diz nesta vida nada cai do céu isto foi só para vos calar. Revejam essa atitude negativa e não me obriguem sequer a falar muito nas palavras “meteoritos”, “gafanhotos” ou, caso vivam em bairros menos recomendáveis, “bilhas de gás”.
É isso mesmo, a chuva é boa, a chuva diverte-me, especialmente quando jorra já depois de eu ter acabado as férias. Dá-me aquela sensação de ter acertado no Euromilhões, tirando apenas a parte pouco engraçada do dinheiro.
Por isso, se me virem pela frente ou até mesmo de perfil, queixas sobre instabilidade do tempo e fenómenos naturais, falem com este senhor, que ele por uns modestos trocos tem pachorra para vos dar conversa.

Playing – Raindrops keep falling on my head

11.9.07

Filosofias de Mak - Capítulo I



Sendo eu um pensador livre ou, pelo menos, livre, resolvi criar uma nova rubrica ocasional para dar a conhecer a minha perspectiva filosófica da vida e das suas nuances mais diversas. Pequenos apontamentos que pretendem ir ao âmago do ser humano, mesmo que signifique causar vómitos.

Capitulo I

À mulher de César não basta ser séria.
Tem que lhe criar os dois filhos, perdoar-lhe o vício do jogo e as bebedeiras habituais, assim como fazer de conta que a amante de César, esteticista em Massamá, não existe, apesar de lhe ligar duas vezes por semana a chamar-lhe vaca.

10.9.07

Saudosismo a quanto obrigas

Desenganem-se aqueles que pensam (ambos os dois) que este post vai ser um chorrilho de amargura sobre o muito que me diverti nas férias e de como é triste deixar isso tudo para trás e voltar a uma vida árdua de trabalho. Para já, árduo e trabalho são conceitos que não combinam com o meu estilo de vida, depois sempre que quiser voltar aos dias de glória das férias existe algo a que se chama “baixa fraudulenta” e, finalmente as saudades em mim pulsam muito mais em relação a outro tipo de coisas, como por exemplo:

- Tenho saudades dos tempos em que se falava sobre crianças portuguesas que desapareciam ou sofriam maus tratos. É que pelo que leio e oiço, nos últimos meses só aconteceu isso a uma criança em Portugal, por sinal inglesa.

- Tenho saudades do tempo em que haviam futebolistas com bigode no nosso pais. Felizmente, para quem já não viveu essa época, existe a RTP Memória para comprovar que bigodes e chuteiras caminharam juntos algures na história da nossa pátria.

- Tenho saudades dos tempos em que podia atravessar as ruas sem ser interpelado por 328 distribuidores de jornais gratuitos e por promotores que me oferecem, tudo de iogurtes a cortadores de relva. Além do mais, creio que essa gente terá afugentado os HELDER’s e os velhotes com a Palavra do Senhor das principais artérias da cidade, personagens que tanto me divertia judiar.

- Tenho saudades dos tempos em que a maioria das pessoas (reparem que são pessoas, não actores) que entravam nas novelas portuguesas não eram jovens modelos, jovens aspirantes a modelos, carinhas bonitas que podiam ser modelos, ex-modelos, ex-aspirantes a modelos, jovens que não sabem o que é ser modelo, mas acham piada aquela coisa de tirar fotos e aparecer em revistas and soi on. O resultado continuava a ser igualmente mau, mas assim aborrecia-me menos a plasticidade da coisa.

- No mesmo registo, tenho saudades dos tempos em ligava a TV num canal de música e via gente feia a cantar bem. Pelos vistos, salvo muito raras excepções, é lógico concluir que já só há gente bonita com estilo com talentos vocais.

- Finalmente, porque já estou lavado em lágrimas, tenho saudades do tempo em que este blog tinha alguma qualidade. Já deve ter sido há uns tempos valente, porque não me consigo lembrar minimamente dessa altura...

A rodar, só para provar que também tenho sentimentos – Barbra Streisand - The Way We Were

5.9.07

Das trevas nasce a luz (só se forem ceguinhos)



Pequena interrupção nos pensamentos profundos próprios de quem está de férias, como por exemplo: “Será que consigo estragar o castelo do puto com apenas um pontapé?”, “Será tio e sobrinho ou apenas um casal de agasalhas?” ou então “Aquilo é um bikini muito cavado ou uma mulher com cabelos no peito?”.
A interrupção é oportuna porque sei bem que a gente ressabiada que por aí anda a fingir que trabalha tem alguns ressentimentos contra gente que como eu goza o seu merecido descanso. Assim, provo que penso em vós, contribuindo para que as horas de fingimento passem mais depressa.
Mas sosseguem os corações ruins, são boas novas as que vos trago. Sabem aquela história de toda a gente aspirar a uma vida feliz, harmoniosa, onde os pássaros chilreiam e é legal medicar as crianças para que fiquem num estado letárgico em vez de partirem a casa toda? Tudo falso, coisa do passado, conceito morto e enterrado.
A palavra idílico (não, não quer dizer igual, isso é idêntico) hoje em dia é prenúncio de ruína. A vida está difícil e ao ser humano custa lhe um bocado aceitar a felicidade alheia. “Ai casaram esta semana? Que bom!!!” (nas entrelinhas: 20 euros em como não passam do Natal), “Epá, se alguém merecia este aumento eras tu” (nas entrelinhas: com a ajuda de Santa Silicone também eu minha cabra) ou “O teu filho está um matulão meu caro” (nas entrelinhas: “teu” é como quem diz). Podia continuar até à exaustão com estes exemplos, mas também não gosto de falar tanto sobre os jantares de Natal da minha família.
Quem quer passar a vida livre de invejas, boatos e rumores sabe muito bem que tem de afastar qualquer imagem idílica do seu dia-a-dia. A vossa cara-metade é perfeita? Digam-lhe isso só a ela e inventem um problema com o álcool, frigidez/impotência ou simples mau carácter para a difamarem junto de quem vos rodeia. Vão ver que marcam pontos, ganham mais simpatia e ainda vos pagam um copo para vos animar de vez em quando.
Têm um emprego de sonho? Para já são mentirosos, porque isso não existe, mas se até acreditam na vossa mentira, chamem nomes ao patrão à mesma e arranjem uma vaca e um graxista para servirem de bode expiatório ao falatório do trabalho. Se ainda assim estão a resistir a esta ideia, possivelmente são um dos três personagens que referi e, nesse caso, é altura de arrepiar caminho.
São pessoas inteligentes, cultas e interessantes? Primeira medida – continuar a ler este blog e a divulgá-lo às pessoas que respeitam. Isso será prova que são humanos e também erram. Depois, cometam ocasionalmente umas griffes, comentem programas da TVI que nunca viram e soltem um arroto ocasional, junto de pessoas mais próximas. Todos estes gestos, são como as patas de coelho, para quem acredita afastam o mau olhado, para quem não acredita, pelo menos afasta aquela ideia de que as pessoas cultas, inteligentes e interessantes não podem ser boçais (não posso ser só eu a lutar contra esse estigma).
A malta quer-se falível, caída em desgraça e disponível para o azar. Se não o são, sigam estas dicas e pelo menos aparentem-no e vão ver que saem a ganhar. É que quando a inveja bate à porta não serve de nada fingir que não se está em casa. É convida-la a entrar, servir-lhe um chá e carregar na dose de laxante. No fim vai dar merda na mesma, mas não são vocês que se lixam.


A rodar: Air – Don’t be light

31.8.07

Um rival à altura


Finalmente encontrei alguém ao meu nível, quer em termos de personalidade, quer em termos de banhos de sol. Sim, isto é um post extremamente fútil mas a culpa não é minha, é do tempo, que insiste em estar óptimo para não trabalhar.
Espero que não aproveitem a oportunidade para dizer cobras e lagartos da minha pessoa...


No ar - Molestador de pequenitos antes da lavagem com Neoblanc - Blame it on the boogie

28.8.07

Ultimamente só meto água



E pretendo continuar a fazê-lo nas próximas duas semanas.

Cliff Richard - Summer Holidays

24.8.07

Ah pois é




Estimados fregueses, até a escumalha da sociedade tem direito ao conceito profissional de férias. Por isso, até ao meu regresso, podem ir desabafando aqui as vossas desilusões. Prometo-vos que estarão no meu pensamento, logo depois do sol, da praia, da água, da comida, do descanso, das noites degeneradas, do álcool, do sexo e das drogas, do macramé, da Revista Maria e de um rol de vulgaridades que me tipificam.

De quando em vez poderei cá dar um salto, mas será apenas para comentários de má índole e atitudes de mete-nojo, coisas que me dão imensa gratificação.

Aquele abraço, do vosso parasita social favorito.

22.8.07

Naturalmente...gatunos



Há coisas que me abalam profundamente, o vodka é uma delas, mas deixemos os meus traumas alcoólicos para quando formos todos beber um copo. O que me leva a escrever estas linhas é uma simpática cadeia que dá pelo nome de Go Natural. E, como o nome indica, numa cadeia existem, para além de ex-concorrentes do Big Brother – ladrões. Neste caso, o roubo não é consumado através de qualquer arma ou abre latas (sim, já me tentaram assaltar com este artefacto), mas através de uma coisa moderna que se chama – pagamento de status.
Ouvimos por todo o lado que devemos optar por comida saudável, que a era da feijoada e do cozido já era, que há milho e animais a sofrerem por nossa causa e mais uma enormidade de factos, alguns deles bem plausíveis. No entanto, a maior parte dos restaurante, sejam vegetarianos, de comida saudável ou com truques semelhantes para nos fazerem acreditar que a vaca Mimosa e o nosso organismo ficarão eternamente agradecidos por lá irmos, continuam a cobrar como se nos estivessem a punir por um passado de ofensas alimentícias.
Acredito que pagar bem por uma boa refeição é justo, mas no caso dos meus amigos do Vai Natural, carregam na conta no que poupam em corantes e conservantes. Só que como é trendy, é moderno, tem até sushi e ingredientes que temos dificuldade em pronunciar o nome, caixinhas que nos permitem transportar a moda alimentar até ao local de trabalho e sacos que mostram que somos uns tipos com um “healthy way of life”, a malta come, cala e paga, não necessariamente por esta ordem.
Por esta altura, enquanto comem a vossa saladinha de queijo Feta e pêra grelhada com vinagrete e meio Wrap de frango e coentros, acompanhados com uma tisana de fungos, uma questão surge na vossa mente: “Se dizes tanto mal, porque é que lá vais? Sim, porque esse conhecimento de causa e ressabiamento só é possível a quem é cliente da casa...”
A resposta é fácil, caros devoradores de sandes de camarão e maionese de ervas e iogurtes com brownie. Numa primeira fase, obviamente fui experimentar, para poder dizer mal em consciência, coisa que me deixa muito mais tranquilo. Apercebendo-me que, apesar de não ouvir a frase “A bolsa ou a vida” era sempre roubado na altura do pagamento, cortei com esses vícios e aproveitei o dinheiro que poupei para dar entrada para um T0,5 na Curraleira. Agora, uso apenas o Go Natural para me vingar da firma, quando esta me obriga a trabalhar até tarde. Ai hoje não chego a casa a tempo de ver a “Vingança”, mas também não é uma noitada que justifique alimento substancial? Então vais pagar 12 Euros por uma Chapata de Atum da Floresta Negra e um CousCous com caspa de aborígene para aprenderes.
Mas, continua a ser um roubo meus caros, porque se para se para limpar o organismo de toxinas alimentares também tenho de limpar a carteira e uma tangerina descascada dentro de uma caixa de plástico custa 2 euros, mas não me fazem desconto se eu lhes devolver a casca, então não me resta senão abrir as portas ao colesterol e às crises de fígado, enquanto me torno um novo Berardo com o dinheiro que sobra.


PS – Este texto não sofre de efeito “Copy-Paste” não tendo sido revisto por nenhum acessor de Luís Filipe Menezes

PSS – Podem continuar a mandar as vossas perguntinhas por mail e caixa de comentários. Já que não tenho jogado paintball, parece-me um substituto adequado.

21.8.07

Status Report

Não se pense que esta pequena ausência significa que tenho tido menos sobre o que dizer mal ou que não brota em mim uma necessidade constante de iluminar a vossa vida com sábias palavras. No entanto, a proximidade cada vez maior das férias faz com que tenha de começar a treinar o dolce fare niente a outro ritmo, algo que não é possível apenas com o horário de “trabalho” diário.
Mas, porque sei que têm tantas saudades minhas como do buraco na camada do ozono, vou abrir aqui um pequeno espaço de pergunta e resposta, tipo inquérito-tipo de Verão para que possam perguntar agora tudo e mais alguma coisa que queiram sobre os autores deste pasquim, sobre o blog e sobre os segredos do Universo. Podem esperar respostas sinceras e honestas, de preferência sentados, porque se querem coisas desse género vão ao blog da Alexandra Solnado.
Aceito perguntas debitadas na comment box e pelo mail do costume. Não se preocupem com a qualidade das mesmas. Têm a minha garantia que as alterarei a gosto e inventarei o que for preciso, para assegurar que a coisa mantém o nível baixo a que estamos habituados. Anónimos também podem perguntar, mas a resposta será igualmente anónima.



In the air - Atingindo novos mínimos qualitativos, adequados ao Verão, ao blog e a este post em particular - Charles & Eddie - Would i lie to you

14.8.07

Tanga-volante

Por mais que jure que nunca mais ponho aqui um post sobre coisas que se passam em transportes públicos, eles arranjam sempre maneira de me trocar as voltas. Aliás, considero hoje em dia mais fácil deixar de escrever disparates do que não escrever sobre episódios em transportes públicos. Talvez seja a minha consciência ecologista (ou o que sobra dela) que me diz esta ser a melhor maneira de convencer as pessoas que compensam mais 10 minutos de humor e regabofe num autocarro do que 1 hora no carro a poluir a atmosfera. Chegam mais suados é certo, mas o planeta agradece.
Desta vez, cenário matinal de Agosto, autocarro no centro de Lisboa. O mês favorece o utente regular como eu, aliviando os indíces de suor e gente mal encarada a bordo(lote do qual só resto eu e mais dois ou três). A Carris reforça a benesse, aumentando o número de motoristas-humoristas a bordo, para que não falte animação quando os habituais carteiristas não estão disponíveis.
Neste caso, o tipo que tem as rédeas do meu destino, pelo menos até chegar inteiro ao Saldanha, é o campeão do exagero e não tem medo de o mostrar a toda a gente. A conversa com a senhora do banco da frente é um mero pretexto, coisa que a senilidade da cidadã não a deixa perceber.
Comecemos:

- Acha que Lisboa é grande minha senhora? Paris é que é grande, veja lá! Um motorista de autocarro lá demora um dia inteiro para cruzar a cidade e voltar. Mal tem tempo de almoçar senão só chega no dia a seguir... (creio que ficou algo desapontado pelo facto das 12 pessoas no autocarro não terem soltado um "Ohhhhhh" de espanto).

- Acha que este taxista aqui à frente deve ser velho? Eu conheci um que era tão velho e tão cego, que dizia que à noite conduzia mais por instinto do que pelo que via! (Boa facada na concorrência. Daqui em diante levarei sempre uma placa tipo de oculista antes de começar qualquer corrida de táxi).

- Então mas pensa que agora há menos gente nas praias? Dantes é que era...eu que sou novo lembro-me de ir às praias da Costa e ter pelo menos 100 metros de distância das outras pessoas...(ou se esqueceu de referir que foi em Dezembro ou que é casado com a irmã do Tony Ramos). Os meus avós então quando iam deviam apanhar aquilo deserto...(apoio governamental encapotado, com a teoria da Margem Sul = Sahaara)

- Sim, sim, o poder de compra diminuiu imenso. Antigamente comprava jóias (podiam ser jolas, mas quero acreditar na versão que coloquei) à minha esposa regularmente, agora até para ir tomar café com ela tenho de pensar duas vezes. (Aqui a minha dúvida é: ou as jóias eram daquelas que saem nas rifas ou ele frequenta cafés extremamente dispendiosos, pelo nível de comparação).

Por esta altura, o ambiente no autocarro estava ao rubro, apesar dos repetidos bocejos e ares de enfastiado poderem não o traduzir na plenitude, algo que parecia não desanimar o faustoso e diversificado orador-motorista. Conforme me preparava para sair, os temas em discussão, ou melhor os temas da palestra, começavam a versar sobre política e futebol. Hesitei, saio no Saldanha ou continuo até ao Restelo. Venceu o medo da entidade patronal, mas tenho a esperança de que nos voltaremos a ver. Pelo sim, pelo não agora o leitor de MP3 vai sempre na mala...

13.8.07

Ninguém estava à espera deste post

De facto, a seguir à Inquisição Espanhola, o que ninguém espera mesmo é um post de qualidade neste blog. Por isso, fica este clássico para começar a semana, para que se possa dizer que a partir daqui é sempre a descer.

São perto de 10 minutos que valem a pena. Isto se são adeptos de nonsense puro, coisa que o facto de estarem aqui a perder tempo neste blog indicia...